O norueguês naturalizado brasileiro Lucas Pinheiro Braathen começou a temporada 2026/2027 da Copa do Mundo de Esqui Alpino da melhor maneira possível. Neste domingo (25), o atleta de 26 anos conquistou a medalha de ouro na prova do slalom gigante, em Sölden, na Áustria, reafirmando a posição entre os principais nomes da modalidade no cenário internacional.
Braathen completou as duas descidas com o tempo combinado de 1min44s72, superando o suíço Loïc Meillard, segundo colocado, por 48 centésimos de segundo. O também suíço Marco Odermatt, vencedor das últimas cinco edições da classificação geral da Copa do Mundo, terminou em terceiro, apenas um centésimo atrás do compatriota.
A vitória brasileira começou a ser construída na primeira descida, realizada na pista da geleira Rettenbach. Mesmo com o percurso encurtado em razão dos fortes ventos, Braathen apresentou um desempenho consistente e assumiu a liderança com 24 centésimos de vantagem sobre o segundo colocado.
Na segunda passagem, o brasileiro manteve a concentração e confirmou a vitória, resistindo à pressão dos adversários e garantindo o lugar mais alto do pódio.
Após a prova, Braathen admitiu que a responsabilidade de iniciar a temporada como campeão olímpico e detentor do Globo de Cristal do slalom gigante trouxe uma pressão adicional. "Havia muita pressão sobre meus ombros hoje. Mas a pressão é um privilégio, e consegui tirar proveito disso", declarou o brasileiro, em entrevista divulgada pela Federação Internacional de Esqui (FIS).
O resultado foi recebido com entusiasmo pelo atleta, que destacou a dedicação durante os meses de preparação. "Que alívio poder abrir a temporada dessa forma", comemorou.
Sequência impressionante
O resultado deste domingo representa mais um capítulo de uma trajetória que vem transformando a história do Brasil nos esportes de inverno. Filho de mãe brasileira e pai norueguês, Lucas nasceu em Oslo e iniciou sua carreira internacional representando a Noruega. Depois de anunciar uma surpreendente aposentadoria em 2023, retornou às competições em 2024, desta vez defendendo as cores brasileiras.
Desde então, acumulou conquistas inéditas para o país, incluindo a histórica medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Inverno de Milão-Cortina, em fevereiro de 2026, e o Globo de Cristal do slalom gigante, troféu concedido ao campeão da temporada da Copa do Mundo na especialidade.
Com o triunfo na Áustria, Braathen chegou à quarta vitória consecutiva em competições de elite do slalom gigante, sequência que inclui o título olímpico e as duas últimas provas da temporada anterior.
Mesmo depois de alcançar objetivos tão importantes, o brasileiro garantiu que continua buscando maneiras de evoluir. "Tenho procurado novos caminhos para evoluir depois do ouro olímpico e do Globo de Cristal. Estamos seguindo em direção a novas metas, novos objetivos", afirmou.
A conquista também teve um significado especial para o atleta. Foi em Sölden, em 2020, ainda representando a Noruega, que ele alcançou sua primeira vitória na Copa do Mundo, aos 20 anos. Seis anos depois, voltou ao mesmo cenário para vencer novamente, agora com a bandeira brasileira.
Ao recordar aquele momento, Braathen destacou a importância da pista austríaca em sua trajetória. "É incrível olhar para trás e lembrar que fui o vencedor mais jovem aqui e conseguir vencer novamente. Aquele dia, quando eu tinha 20 anos, mudou minha vida".
Desafio
Embora tenha conquistado títulos importantes, Braathen pretende dar um novo passo na carreira: disputar o título geral da Copa do Mundo de Esqui Alpino, que considera os resultados das diferentes disciplinas da modalidade. Para alcançar esse objetivo, o brasileiro planeja ampliar sua participação nas provas de velocidade, especialmente no super-G, além de continuar competindo no slalom e no slalom gigante.
A estratégia busca aumentar suas possibilidades de pontuação ao longo da temporada e desafiar a hegemonia de Marco Odermatt, principal referência do circuito nos últimos anos.
Outro objetivo importante será o Campeonato Mundial de Esqui Alpino, programado para fevereiro de 2027. A trajetória de Lucas Pinheiro Braathen demonstra que o Brasil pode alcançar resultados expressivos mesmo em modalidades tradicionalmente dominadas por países de clima frio.
A preparação para a nova temporada incluiu treinamentos físicos no Rio de Janeiro e atividades na neve na Argentina e no Chile, aproximando parte de sua rotina esportiva da América do Sul. Mais do que uma vitória individual, o resultado deste domingo reforça a presença brasileira no cenário internacional dos esportes de inverno e amplia a visibilidade do esqui alpino entre os torcedores do país.
Depois de cruzar a linha de chegada, Braathen comemorou diante das câmeras com um entusiasmado "Vamos!", expressão que se tornou uma de suas marcas registradas. Mas, para o brasileiro, o significado da conquista ultrapassou o resultado esportivo. Ao comentar a segunda descida, destacou a liberdade que sentiu ao competir e a satisfação de poder expressar sua personalidade nas pistas.
"Pude simplesmente ser eu mesmo. Estava tão conectado comigo, e foi muito divertido esquiar naquela segunda descida. Essa é a sensação que busco todos os dias. Para mim, essa foi a verdadeira vitória de hoje", declarou.
Com a medalha de ouro conquistada na Áustria, Braathen assume a liderança inicial da classificação do slalom gigante e começa sua caminhada em busca de novos títulos. A próxima etapa masculina da Copa do Mundo será disputada em 15 de novembro, em Levi, na Finlândia, com uma prova de slalom.
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