CRÔNICA

Podemos sonhar com o hexa (de novo), sim!

A verdade é que, quando a Canarinho entra em campo, a torcida do Brasil só aumenta. De Back Street Boys a astros de Game of Thrones, passando por Spike Lee

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Mariana Niederauer
15/06/2026 11:39 - Atualizado em 15/06/2026 11:41
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Quem não vibrou com o gol de Vini Jr.? -  (crédito: William Volcov/AE)
Quem não vibrou com o gol de Vini Jr.? - (crédito: William Volcov/AE)

Negar a paixão é tolice. Mas admiti-la pode nos fazer parecer tolos. É assim na vida amorosa e na torcida pela Seleção. "Não se fazem mais jogadores como antigamente." "O time não tem entrosamento." "Desisti de torcer depois da Copa de 2014." "A Fifa mercantilizou o Mundial." "Nem gosto de futebol."

Todas essas são frases que você certamente ouviu ou proferiu nos últimos anos. Eu me declaro culpada. Mas nem toda a incredulidade nos impediu de, mesmo diante de um time que errou um número impressionante de passes contra o Marrocos, vibrar quando o golaço de Vini Jr. balançou a rede do adversário.

Até nós, jornalistas, pintados como algozes da Seleção em tantos momentos por previsões pessimistas (ou realistas), temos de admitir que, dentro do peito, bate um coração verde e amarelo. No momento em que a bola rola ninguém esconde a empolgação e o nervosismo. 

A vibração de Roberto até assustou quem estava concentrado na distribuição dos conteúdos. Sílvio e Marcelo se voluntariaram para ajudar no fechamento e Zé Carlos e os companheiros da Seleção da Primeira Página deram um jeito de estampar Vini na capa do jornal, como um pôster pra entrar na história. Eu, mesmo com a garganta ardendo, gritei gol no último volume. Tenho certeza de que não foi diferente com Marcos Paulo e Victor, direto dos Estados Unidos, e com a equipe de Cidades e do site que foi às ruas acompanhar a energia da torcida de Brasília.

A verdade é que, quando a Canarinho entra em campo, a torcida do Brasil só aumenta. De Back Street Boys a astros de Game of Thrones, passando por Spike Lee. Brasília dá show a parte, com as quadras pintadas e enfeitadas nas cores da bandeira. Tem vizinhança que começou a promover até sorteio para eleger a mais bonita. Isso sem falar nos álbuns de figurinha. O valor alto por unidade e a maior Copa da história transformaram a famosa recordação do mundial numa bomba na economia doméstica. Mas, aos poucos, com as trocas aqui e acolá, a meta de completar as 48 seleções do álbum, mais as cartinhas especiais fica cada vez mais próxima.

Por aqui, já avisei que estou igual a Zagallo, supersticiosa. Não quero saber de ouvir previsões sobre quem vai ganhar, nem visto a camisa que comprei na Copa de 2014, a do fatídico jogo contra a Alemanha, na hora dos jogos. Só aceito boas energias, casa decorada e pensamento positivo.

Se os Knicks levaram o tri na NBA depois de 53 anos de jejum e Lewis Hamilton — o inglês de coração brasileiro e fã de Ayrton Senna — se tornou o piloto mais velho a vencer um GP de Fórmula 1, superando ninguém menos que Michael Schumacher, é porque podemos, sim, sonhar com o hexa, de novo!