GOLPES

Copa de 2026 vira alvo de golpes com mais de mil sites suspeitos

Levantamento identifica 1.140 domínios maliciosos ligados ao Mundial e mais de 1.700 perfis falsos que usam a marca da Fifa para enganar torcedores

Foto de perfil do autor(a) Amanda S. Feitoza
Amanda S. Feitoza
15/06/2026 17:56
3min de leitura
O levantamento aponta que o número de registros de domínios ligados à Copa cresceu significativamente nos dois meses anteriores ao torneio -  (crédito: Reprodução/Fifa)
O levantamento aponta que o número de registros de domínios ligados à Copa cresceu significativamente nos dois meses anteriores ao torneio - (crédito: Reprodução/Fifa)

Com a chegada da Copa do Mundo de 2026, a expectativa não fica somente por conta dos torcedores, mas também a atuação de cibercriminosos em todo o mundo. Um levantamento do FortiGuard Labs, laboratório de inteligência da Fortinet, revelou a existência de mais de 13 mil domínios registrados com referências ao torneio entre janeiro e maio deste ano. Desse total, 1.140 foram classificados como maliciosos ou suspeitos.

Segundo o estudo, os criminosos têm aproveitado o interesse em torno do maior evento do futebol mundial para criar estruturas voltadas a fraudes financeiras e ao roubo de dados pessoais. Entre os golpes mais comuns estão a venda falsa de ingressos, lojas virtuais fraudulentas de produtos oficiais, transmissões ilegítimas de partidas, campanhas de phishing e falsas ofertas de emprego relacionadas à competição.

O levantamento aponta que o número de registros de domínios ligados à Copa cresceu significativamente nos dois meses anteriores ao torneio, acompanhando o aumento da procura por informações, produtos e serviços relacionados ao evento.

Além disso, a pesquisa identificou mais de 270 mil credenciais de usuários que acessaram sites relacionados à FIFA em registros de roubo de dados. Os dados indicam uma intensificação das tentativas de captura de informações pessoais e financeiras de fãs do futebol.

As redes sociais também aparecem como um dos principais ambientes explorados pelos golpistas. O estudo encontrou mais de 1.700 perfis e canais que utilizam indevidamente a identidade visual e a marca da FIFA. A maior parte dessas contas falsas está no Instagram, que concentra 60,27% dos registros identificados. Em seguida aparecem Facebook (28,94%), X, antigo Twitter (8,16%), Telegram (1,66%) e YouTube (0,97%).

De acordo com Alexandre Bonatti, vice-presidente de Engenharia da Fortinet Brasil, esses perfis costumam ser usados para divulgar promoções inexistentes, sorteios falsos e páginas fraudulentas criadas para capturar dados de usuários.

Outra preocupação apontada pelo levantamento é a disseminação de aplicativos maliciosos que simulam plataformas de apostas esportivas, serviços de streaming e aplicativos de acompanhamento de resultados. Distribuídos por sites não oficiais e aplicativos de mensagens, esses programas podem instalar malwares capazes de roubar credenciais, dados financeiros e comprometer dispositivos.

A venda fraudulenta de ingressos continua entre os golpes mais recorrentes. Para convencer as vítimas, criminosos criam páginas muito semelhantes às oficiais e exploram a sensação de urgência gerada pela escassez de entradas para o torneio. O mesmo acontece com falsas lojas virtuais que prometem camisas, itens colecionáveis e produtos exclusivos da Copa, mas entregam mercadorias falsificadas ou simplesmente não realizam a entrega.

O estudo também alerta para o crescimento de golpes envolvendo vagas temporárias ligadas ao Mundial. Mensagens compartilhadas por redes sociais, aplicativos de conversa e e-mails direcionam candidatos para páginas que simulam processos seletivos legítimos e capturam informações pessoais e credenciais de acesso.

Os especialistas recomendam que consumidores redobrem a atenção ao acessar sites relacionados à Copa do Mundo, priorizando canais oficiais para compras e evitando downloads de aplicativos provenientes de fontes desconhecidas. O uso de autenticação multifator e o acompanhamento frequente de movimentações bancárias também estão entre as medidas apontadas para reduzir os riscos de fraude durante o torneio.