Rivalidade antiga

Final entre Argentina e Espanha divide torcedores brasileiros

Há quem prefira manter a taça aqui na América do Sul, mas alguns torcedores dão preferência a qualquer seleção contra os hermanos

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Junio Silva
18/07/2026 05:00 - Atualizado em 18/07/2026 07:17
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Tricampeã Argentina enfrentará os campeões espanhóis neste domingo (19), na última partida do mundial -  (crédito: Odd Andersen e Roberto Schmidt/AFP)
Tricampeã Argentina enfrentará os campeões espanhóis neste domingo (19), na última partida do mundial - (crédito: Odd Andersen e Roberto Schmidt/AFP)

Com a final da Copa do Mundo 2026 chegando neste domingo (19/7), torcedores do mundo inteiro se dividem entre torcer pela seleção da Argentina ou da Espanha. Ambos os times disputaram grandes jogos ao longo do mundial e prometem entregar uma última partida memorável para a história do futebol.

Um estudo publicado antes do início da Copa, pela AtlasIntel, mostra que a Argentina é a principal alternativa para os torcedores brasileiros que preferiram não esperar o hexa da seleção brasileira. 

Os hermanos aparecem em primeiro lugar com 38.1% na lista de alternativas. Porém, com a final definida, o cenário pode ter mudado. 

A hora e a vez dos espanhóis

A eterna rivalidade entre brasileiros e argentinos aflorou, à medida que a seleção de Lionel Messi avançava durante o mundial. Agora, muitos torcedores preferem que a Espanha, que jogará a segunda final de Copa do Mundo, leve a taça para casa.

Guilherme Okamura, advogado, afirma que, além da Seleção Brasileira, sempre torce para países latinos e africanos. Mas que, na final, a torcida será pela Espanha. “Apesar do privilégio de ver o Messi ser o gênio que é, acho que a Argentina não merece o título”, explica. “Há várias polêmicas de arbitragem e o time é muito fraco, apesar da força de vontade que mostra”.

A psicóloga Bárbara Tereza afirma que também prefere torcer para times latinos e africanos, mas decidiu abrir uma exceção para a seleção espanhola. “Estou torcendo para qualquer time contra a Argentina. Não é nada específico com a Espanha, apesar de gostar do Lamine Yamal”, declara.

O ponta direita espanhol tem atraído admiradores no mundo do futebol durante o mundial. Mas muito da fama também se deve aos memes protagonizados pelas reações do irmão caçula Keyne, de 4 anos, que viralizou em 2026. “Vou torcer exclusivamente por causa do irmão do Yamal. Ele é um mini divo que não pode ficar triste”, brinca a estudante Tattiane Cruz.

Hermanos ainda atraem a torcida

Mesmo com a rejeição crescente pela Argentina, há quem mantenha a torcida pelos tricampeões. Se a Copa do Mundo 2026 será a última vez que Messi disputará o mundial, o astro do futebol parece disposto a dar um show de despedida. 

“Eu torço porque gosto de ver o futebol dos caras. Eles jogam com vontade, com garra e não ficam com medo de gol tomado”, afirma Amanda Calixto, auxiliar administrativa. “Eu queria que o Brasil tivesse essa vontade de ser campeão como a Argentina tem. Fora que somos todos sul-americanos. Argentina é rival, mas não é inimiga”.

Muito da rejeição pela torcida argentina se deve aos infelizes registros de comportamentos racistas dos torcedores. Durante o histórico jogo contra Cabo Verde, argentinos foram vistos atirando objetos contra a torcida rival. O streamer IShowSpeed também foi alvo de gestos racistas e objetivos atirados durante as partidas da Argentina.

Lances duvidosos também criaram, entre os torcedores, a impressão de que jogadores argentinos foram favorecidos pela arbitragem. Partidas como Argentina e Egito, nas oitavas de final, aumentaram as suspeitas dos internautas. 

No entanto, muitos torcedores preferem focar na rivalidade esportida e no histórico dos hermanos no futebol. O engenheiro Manuel Carvalho afirma que considera importante manter o título do mundial para uma seleção sul-americana.

“Eu vi Maradona jogar, vi o Batistuta. Sempre foi bonito ver a Argentina jogar. Sei que tem muita rivalidade, eu acho saudável”, explica. “Acho importante manter esse futebol bonito que eles têm e dar para o Brasil mais vontade de vencer”.