RACISMO NA COPA

Ativista brasiliense cobra punições da Fifa por casos de racismo na Copa

Após denunciar episódios de racismo envolvendo torcedores argentinos, psicóloga e ativista brasiliense diz que resposta da entidade não apresenta medidas concretas para combater a discriminação

A ativista também critica o que considera falta de posicionamentos públicos mais contundentes de figuras influentes do futebol diante dos casos registrados durante o torneio -  (crédito:  AFP)
A ativista também critica o que considera falta de posicionamentos públicos mais contundentes de figuras influentes do futebol diante dos casos registrados durante o torneio - (crédito: AFP)

Os episódios de racismo registrados durante a Copa do Mundo seguem repercutindo dentro e fora dos gramados e motivaram uma cobrança direta à Fifa por respostas mais duras contra a discriminação. A psicóloga e ativista brasiliense Dai Schmidt, idealizadora do Desfile Beleza Negra (DBN), enviou uma carta à entidade máxima do futebol cobrando punições exemplares para torcedores envolvidos em ataques racistas e questionando a falta de medidas mais severas. A Fifa respondeu reafirmando seu compromisso com o combate ao racismo, mas a ativista afirma que a devolutiva "não satisfaz" por não indicar ações concretas.

No documento, Dai afirma que a competição perdeu parte de seu propósito diante dos episódios de discriminação e questiona a eficácia das ações adotadas pela Fifa. "O combate ao racismo exige atitudes concretas, punições efetivas e consequências capazes de demonstrar, de forma inequívoca, que a dignidade humana está acima de qualquer seleção, torcida, interesse financeiro ou espetáculo esportivo", escreveu.

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Os episódios de racismo envolvendo torcedores argentinos durante a Copa do Mundo aparecem como eixo central da carta enviada por Dai Schmidt à Fifa. "Causa profunda indignação ver torcedores argentinos envolvidos em episódios de racismo e não perceber uma resposta que, para mim, esteja à altura da gravidade desses acontecimentos", escreveu.

Em outro trecho, ela sustenta que campanhas institucionais deixaram de ser suficientes e defende que o combate à discriminação passe por sanções efetivas contra quem pratica esse tipo de violência.

A ativista também critica o que considera falta de posicionamentos públicos mais contundentes de figuras influentes do futebol diante dos casos registrados durante o torneio. Na carta, ela cita o silêncio de grandes atletas e defende que personalidades com alcance mundial têm responsabilidade no enfrentamento ao preconceito.

Outro ponto destacado por Dai é a repercussão de episódios envolvendo torcedores argentinos acusados de atos racistas. Para ela, as respostas dadas até o momento não refletem a gravidade das ocorrências. "Até quando a Fifa permitirá que o racismo continue presente nas arquibancadas e ao redor do futebol?", questiona no documento.

Em resposta ao ofício, a Fifa afirmou que trata "toda alegação de racismo e outras formas de discriminação com seriedade" e reiterou o compromisso de fazer da Copa do Mundo "uma força unificadora". A entidade informou ainda que mantém investigações disciplinares com base em seu Código Disciplinar quando há denúncias de condutas discriminatórias e ressaltou que ampliou suas iniciativas de combate ao racismo antes da Copa de 2026.

Apesar do retorno, Dai considera que a manifestação oficial não responde às expectativas de quem acompanha o tema. Ao Correio, ela afirmou que a entidade permanece concentrada em reafirmar compromissos já conhecidos, sem indicar medidas concretas. "A resposta da Fifa ainda não me satisfaz. O documento reafirma compromissos que já conhecemos, porém as vítimas e milhões de pessoas que acompanham o futebol esperam mais do que discursos institucionais", afirmou.

Segundo ela, o combate ao racismo precisa deixar de ser tratado apenas por meio de campanhas de conscientização. "Se a Fifa realmente tem tolerância zero ao racismo, isso precisa ser demonstrado por meio de punições exemplares. O racismo não pode continuar sendo tratado apenas como um incidente isolado quando ele se repete de forma recorrente", disse.

A ativista afirma que o objetivo da manifestação foi cobrar responsabilidade da principal entidade do futebol mundial diante da repetição de episódios de discriminação. "O mundo assistiu a episódios de racismo, e a resposta precisa estar à altura da gravidade desses fatos. O combate ao racismo não pode depender apenas de campanhas ou notas oficiais; ele exige decisões firmes, consequências reais e um posicionamento inequívoco", concluiu.

 

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postado em 17/07/2026 15:41 / atualizado em 17/07/2026 15:43
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