Eu, Estudante

Paralisação

Professores do DF fazem paralisação por reivindicações da carreira

Ato dos professores nesta quinta-feira (23) critica sistema comprado pelo governo sem adaptação à realidade do Distrito Federal

Por Gabriela Cidade*

Professores da Secretaria de Educação do Distrito Federal (SEEDF) se reuniram em ato na Praça do Buriti nesta quinta-feira (23). Convocada com urgência pelo Sindicato dos Professores (Sinpro), a paralisação reivindica o pagamento total do salário dos professores temporários após mudança na metodologia de cálculo da remuneração.

O cálculo foi alterado após o GDF comprar o sistema EducaDF, de São Paulo, para substituir o IEducar e o Kronos, sistemas usados pela SEEDF para diários de classe e gestão de pessoas.

O principal problema da nova plataforma EducaDF, segundo a categoria, é que ela não foi adequada à realidade dos professores do Distrito Federal, que é diferente de São Paulo. Com isso, professores temporários não receberam os salários corretamente.

Sobre a nova plataforma comprada pelo GDF, que segundo o Sinpro custou R$ 40 milhões, Julio Barros, diretor de organização do sindicato, aponta que os professores entendem que o EducaDF não tem solução: "Passa para a categoria que é mais um processo de terceirização e jogar milhões e milhões de reais dos cofres públicos na lata do lixo". O sistema antigo, IEducar, apesar de apresentar alguns defeitos, contemplava o trabalho dos professores.

Márcia Gilda, diretora do Sindicato dos Professores, aponta que o grupo de trabalho criado pela governadora Celina Leão (PP) precisa ter resultado efetivo: “Não é um grupo de enrolação, porque essa história a gente já viu em outros momentos.” Diz que a categoria busca dignidade para os professores em regime de contratação temporária, que são professores que desempenham a mesma função que um professor efetivo, e por isso não podem ter distorção salarial.

A diretora do Sinpro também afirmou que no grupo de trabalho serão tratadas questões como o fim do sistema horista e a implementação da remuneração por jornada de trabalho, ou seja, o professor receberá um salário exato todo mês, baseado em seu regime de contratação, seja de 20h ou 40 horas semanais.

O que acontece atualmente é o oposto. O professor no regime horista recebe por hora. Se o professor dá 3 aulas em uma escola, com intervalo de uma hora entre cada, ele recebe apenas pelas 3 horas em sala de aula, apesar de estar na escola, disponível, nesses intervalos. O Sindicato solicita que essas horas que o professor se coloca presente na escola sejam contabilizadas como trabalho.

“Os professores temporários são de excelência. Há cada dois anos precisam passar por novo processo seletivo, então são pessoas que estão o tempo inteiro se informando, estudando, lendo a legislação", apontou Márcia.

Celina Leão, governadora do Distrito Federal, afirmou: "Vamos revogar a portaria. Mas o ato é ilegal. Eles acabariam recebendo a mais. Então é isso que eu tô ajustando hoje (esta quinta, 23). Mandei os nossos técnicos ir ajustar. Falei com o presidente do sindicato por telefone que eu não estarei lá, mas vai ser resolvido hoje." O Sinpro se reunirá com a governadora Celina Leão na próxima semana para debater os próximos caminhos da carreira do magistério e o sistema EducaDF.

*Estagiária sob supervisão de Aline Gouveia