Por Sofia Sellani* — "Era importante para ela sair e voar sozinha", afirma Fábio Costa ao falar sobre a filha, Júlia Huber. Aos 16 anos, a aluna do colégio Sagrado Coração de Maria, na unidade da Asa Norte, embarcou para o Intercâmbio Rede Sagrado, onde ficou por três semanas em Barranquilla, na Colômbia. De volta a Brasília, Júlia trouxe na bagagem vivências que foram desde a rotina em uma casa de família, até a imersão acadêmica e turística na cidade colombiana.
O passaporte para a aventura exigiu dedicação. Para o processo seletivo, precisou realizar uma prova de proficiência em inglês, dividida em etapas escrita e oral (a escola em que ela foi era bilingue). O objetivo da iniciativa é promover a integração entre as unidades da Rede Sagrado ao redor do mundo, fazendo com que os estudantes além de mais independentes, se tornem "cidadãos globais Sofia Sellani", preparando-os para mergulharem em novos desafios. Ou seja, na Colômbia, a intercambista frequentava a unidade Marymount School Barranquilla, com aulas em espanhol e inglês.
No Brasil, as quatro escolas da rede Sagrado, presentes em Brasília, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo, enviaram ao todo cinco alunos para a filial internacional, permitindo que jovens como Júlia vivenciassem o dia a dia de outros países sob o amparo da mesma filosofia educacional. Como os intercambistas continuam frequentando as aulas normais, não ganham falta nem são prejudicados ao retornar.
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Júlia diz se identificar com o mundo da arte e moda. Ela destaca que, além da grade de aulas normais, participava de cursos diferentes que a escola proporcionava, como o de costura e o de pulseiras.
Acolhimento
A hospitalidade é o pilar do programa: os estudantes são "adotados" por famílias vinculadas à escola do local, ou seja, que também têm alunos da rede Sagrado. Júlia, aluna do 2º ano do ensino médio, foi recebida por um núcleo composto pela mãe, uma filha (também aluna da instituição) e uma babá. "Fui muito bem recebida", conta a jovem, destacando que o apoio dos anfitriões foi fundamental para sua adaptação.
Nas sextas-feiras, os passeios históricos e culturais eram os favoritos da brasileira. "O melhor foi quando conhecemos alguns dos monumentos, especialmente o Ventana Al Mundo, torre colorida bem grande e o Ventana de Campeones, monumento que tinha o formato de uma barbatana de tubarão", lembrou.
Júlia recorda com humor os choques culturais. O que mais a impressionou? A culinária local. "Era uma boa comida, mas todo dia eles comiam ovo", diverte-se. Apesar do entusiasmo com a viagem, a saudade de casa foi uma constante: "Tentava ligar todos os dias para contar as novidades para minha família".
Independência
Embora tivesse domínio do idioma, Júlia percebeu que a prática real é o verdadeiro desafio. "Você acha que sabe falar (espanhol e inglês) bem, mas quando chega e ouve as pessoas na velocidade natural delas, é uma surpresa", relata sobre a melhora expressiva em seu espanhol.
A estudante também destaca que enfrentar desafios sem a companhia e o suporte da irmã gêmea, Laura, foi essencial para o amadurecimento social. Para o pai, Fábio Costa, a jornada foi um aprendizado do início ao fim. Ele reforçou a importância de incentivar a individualidade das duas: "Entendemos que são duas pessoas diferentes, com personalidades e pensamentos próprios, mesmo tendo nascido da mesma barriga." Essa distinção reflete-se nos hobbies: enquanto Laura dedica-se ao piano, Júlia é adepta do crochê — talento que levou para a Colômbia, onde produziu "lembrancinhas" artesanais para os novos conhecidos.
A aventura internacional da família não termina com o retorno de Júlia. Agora, a casa em Brasília se prepara para receber uma estudante mexicana em abril. O quarto está pronto e a expectativa é alta. "Onde comem três, comem quatro ou cinco", brinca Fábio, resumindo o espírito acolhedor da família que, mesmo sem conhecer a identidade da nova integrante, já está ansiosa pela próxima troca cultural.
*Estagiária sob a supervisão de Ana Sá
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