Aos 18 anos, o pernambucano Caio Silva Braga, natural do Recife, alcançou a pontuação máxima na redação do Enem 2025 ao construir um texto autoral, crítico e sem recorrer a fórmulas prontas. O estudante citou o livro O Karaíba, do escritor Daniel Munduruku, e o filme Vitória, inspirado na obra Dona Vitória Joana da Paz, do jornalista Fábio Gusmão, para discutir envelhecimento, desigualdade social e protagonismo na velhice.
Ao Correio, o estudante afirmou não ter se preparado especificamente para o exame deste ano, nem treinado redação nos meses que antecederam a prova. No entanto, Caio destaca que a educação sempre foi tratada com seriedade em sua trajetória. Atualmente, ele já cursou dois períodos de ciência da computação e decidiu fazer o Enem como uma meta pessoal e profissional. Além de ex-aluno do Colégio Núcleo, onde concluiu o ensino médio, ele atua como monitor da própria instituição e também em um cursinho pré-vestibular social fundado pela namorada, Ana Elisa Dantas.
A divulgação da nota foi recebida com surpresa. Ao acessar o sistema e ver o resultado, Caio chegou a acreditar que havia interpretado errado a informação. Durante a tentativa de confirmar a nota em uma ligação para a namorada, o sistema saiu do ar, o que aumentou a desconfiança. Só depois de conseguir acessar novamente e confirmar a pontuação máxima é que ele chamou a família para comemorar.
Segundo o estudante, a estratégia que o levou à nota mil passa longe de “adivinhar tema” — prática que ele associa a ações de marketing de cursinhos. Para Caio, o foco sempre foi desenvolver a capacidade de pensar criticamente, compreender o problema proposto e escrever a partir do repertório construído ao longo da vida escolar, sem modelos engessados ou estruturas decoradas.
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Embora sempre tenha sido um bom aluno, ele rejeita a imagem do estudante que passa horas isolado estudando, diz que nunca deixou de viver para ser estudante e que sempre levou a sério o papel em sala de aula: prestar atenção, participar das atividades e aproveitar as oportunidades oferecidas pela escola.
Ao comentar críticas que recebeu nas redes sociais, de que o resultado seria apenas fruto de ter estudado em escola particular, Caio rebate: "reconheço meus privilégios, mas eles, por si só, não explicam o desempenho. Todo ano na minha escola se formam turmas com mais de 120 alunos. Poucos alcançam resultados semelhantes”, pondera, ao reforçar que o diferencial está em como cada estudante aproveita as oportunidades que recebe.
Filho e neto de professoras, Caio credita parte fundamental da sua formação ao ensino de História e Literatura. Em História, ele afirma ter compreendido melhor o contexto social brasileiro, além de desenvolver leitura e interpretação, habilidades que impactam diretamente o desempenho na redação e em outras disciplinas.
Já em Literatura, o estudante destaca o trabalho da professora Kelly Pimentel, professora do Colégio Núcleo, que priorizava a compreensão profunda das obras e o mergulho no enredo, em vez da simples busca por notas.
Outro fator apontado como relevante foi o Sistema Seriado de Avaliação (SSA), adotado em Pernambuco, que exige estudo aprofundado e contínuo dos conteúdos ao longo dos três anos do ensino médio, favorecendo uma formação mais consistente e menos baseada em memorização de curto prazo.
Com histórico acadêmico expressivo, Caio acumula múltiplas aprovações em Medicina, incluindo a Universidade de Pernambuco (UPE), a Faculdade Pernambucana de Saúde (FPS), onde alcançou o segundo lugar, e a Universidade Católica de Pernambuco (Unicap), em primeiro lugar. Também foi aprovado em Ciência da Computação na UFPE, em Engenharia da Computação ainda no segundo ano do ensino médio, em Engenharia Civil na USP via Enem-USP, além de ter recebido láurea acadêmica no ensino médio. No Enem, obteve 918,4 em matemática em 2024, 920 na redação no mesmo ano e 939,1 em matemática em 2025.
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Ao orientar outros estudantes, Caio reforça a importância de conhecer bem o edital, entender os critérios da TR1 e, sobretudo, preservar a saúde mental durante a preparação para vestibulares. Para ele, o equilíbrio entre estudo, lazer, esportes e convivência social foi essencial ao longo da trajetória. Embora reconheça que o ano de vestibular exige mais dedicação, defende que abrir mão da própria identidade e da qualidade de vida pode ser contraproducente.
Ele também destaca o papel do hábito de leitura desde a infância e pré-adolescência como um dos principais pilares do desempenho escolar. Para Caio, resgatar esse costume, começando por leituras que despertem interesse genuíno, é fundamental para formar leitores críticos e estudantes mais seguros diante de provas como o Enem.
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