UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA

25º Enejor tem recorde de público na primeira edição em Brasília

Maior edição do encontro reuniu pesquisadores e profissionais de todo o país e abordou debate sobre ensino, diversidade e desafios da profissão

Thamires Pinheiro
postado em 24/04/2026 17:16 / atualizado em 24/04/2026 17:57
Enejor 25 -  (crédito: Reprodução/Enejor)
Enejor 25 - (crédito: Reprodução/Enejor)

A Faculdade de Comunicação da Universidade de Brasília (FAC/UnB) sediou, entre 22 e 24 de abril, a 25ª edição do Encontro Nacional de Ensino de Jornalismo (Enejor). Com foco na crise climática, o evento reuniu participantes de todo o país em uma programação que combinou debates teóricos, oficinas práticas e apresentação de pesquisas, e alcançou o recorde de público.

Considerada a maior edição já realizada, a programação foi marcada pela diversidade de temas e pela participação ativa dos estudantes. Para a diretora da FAC/UnB, Dione Moura, o crescimento do encontro reflete o envolvimento coletivo. “Os estudantes foram a alma do evento. Tivemos um processo de divulgação muito forte, que funcionou como um laboratório dentro da própria universidade”, afirmou.

A escolha da crise climática como tema central também foi estratégica. “O jornalismo ainda não está fazendo a cobertura da crise climática como deveria. Trazer isso para o ensino é começar pela base”, disse.

Dione Moura, diretora da FAC/UnB, fala sobre o 25º Enejor: recorde de público
Dione Moura, diretora da FAC/UnB, fala sobre o 25º Enejor: recorde de público (foto: Cássia André/CB/D.A. Press)

Eloisa Beling Loose, professora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, participou como painelista na mesa sobre jornalismo e crise climática. "É muito importante que o evento tenha trazido a questão climática para o centro da discussão, porque é a grande questão do nosso tempo. Desde a formação dos jornalistas já precisamos fomentar um olhar crítico e sistêmico sobre como essas mudanças se conectam ao dia a dia", afirmou ao Correio.

A discussão sobre novos olhares no jornalismo ganhou espaço em diferentes mesas. A professora Antônia Alves Pereira, da Universidade do Estado do Mato Grosso (Unemat), abordou o etnojornalismo como uma forma de ampliar a escuta e incluir diferentes perspectivas. “Precisamos ouvir os territórios e construir com as comunidades, não apenas falar sobre elas”, afirmou. 

Enejor 25
25º Enejor na FAC/UnB: palestra sobre territórios e meio ambiente (foto: Reprodução/Enejor)

A professora Daiane Bertasso, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), também destacou a importância de um ensino mais plural. “Questões de gênero, raça e classe atravessam o jornalismo o tempo todo. Elas impactam desde a escolha das pautas até as fontes”, explicou. Ela defendeu que esses temas sejam trabalhados de forma contínua na graduação. “Precisamos preparar jornalistas para uma realidade mais complexa e diversa.”

Além das mesas, o Enejor contou com uma programação extensa de oficinas, que aproximaram os participantes da prática profissional. Entre os temas abordados estiveram o uso de inteligência artificial no ensino, produção de texto jornalístico, investigação, uso de dados públicos e estratégias de comunicação. 

As ações também encontraram ressonância e conexão com as atividades acadêmicas. Os estudantes da FAC tiveram atividades nas disciplinas que cursam voltadas ao Enejor. Em Texto Jornalístico, por exemplo, o professor Sérgio Sá pediu aos calouros que trouxessem uma notícia de até 2,5 mil caracteres sobre o evento. "Foi uma atividade em campo, com a primeira cobertura de evento dos estudantes, justamente para eu entender se eles têm essa percepção de onde está o valor notícia", afirma.

  • 25º Enejor na FAC/UnB: recorde de público
    25º Enejor na FAC/UnB: recorde de público Cássia André/CB/D.A. Press

Os grupos de pesquisa tiveram espaço com a apresentação de trabalhos acadêmicos sobre ensino, ética, extensão e inovação no jornalismo. As discussões passaram por temas como desinformação, uso de tecnologias, formação profissional e experiências laboratoriais em universidades de diferentes regiões do país.

Outro destaque foi a participação de egressos e jovens pesquisadores. O jornalista Henrique Nagae apresentou um jogo educativo desenvolvido como trabalho de conclusão de curso. “A ideia surgiu de uma inconformidade com a forma de aprendizado. Eu queria algo mais acessível, mais dinâmico”, contou. Segundo ele, o projeto busca democratizar o acesso ao conhecimento sobre jornalismo. “Se alguém sair daqui com uma ideia nova, já é um ganho.”

Henrique Nagae (centro) é egresso da FAC/UnB e apresentou no Enejor o jogo que desenvolveu em seu TCC
Henrique Nagae (centro) é egresso da FAC/UnB e apresentou no Enejor o jogo que desenvolveu em seu TCC (foto: Cássia André/CB/D.A. Press)

O evento também contou com a exposição de capas históricas do Correio Braziliense. A mostra abordou o papel do jornalismo como registro histórico e ponto de conexão entre passado e presente da profissão. “Todo mundo que gosta de jornalismo precisa olhar para capa de jornal. O Correio constrói história, conta a história e também propõe caminhos”, afirmou Dione Moura, da FAC.

Exposição do Correio Braziliense no 25º Enejor
Exposição do Correio Braziliense no 25º Enejor (foto: Cilene Vieira/CB/D.A. Press)

*Estagiária sob supervisão de Mariana Niederauer

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