Investimento

Pesquisa revela queda no valor das mensalidades de faculdades privadas

Foram analisados 21.582 cursos em todas as regiões do país, nas modalidades presencial, semipresencial e on-line, com ênfase específica para medicina e engenharias. Mudanças no mercado explicam os novos valores

Ian Vieira*
postado em 22/05/2026 17:55 / atualizado em 22/05/2026 18:31
Paulo Chanan, diretor-geral da Associação Brasileira de Mantenedores de Ensino Superior (ABMES) -  (crédito: Reprodução/ ABMES)
Paulo Chanan, diretor-geral da Associação Brasileira de Mantenedores de Ensino Superior (ABMES) - (crédito: Reprodução/ ABMES)

Rio de Janeiro - Pesquisa feita pela Hoper Educação, em parceria com a Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES), revelou dados sobre o cenário atual de precificação da graduação no Brasil. Ao todo, foram 21.582 cursos analisados em todas as regiões do país, nas modalidades presencial, semipresencial e on-line, com ênfase específica para medicina e engenharias. As estatísticas revelam queda real no valor das mensalidades em decorrência das mudanças no mercado.

A pesquisa foi apresentada durante o 18º Congresso Brasileiro de Educação Superior Particular (CBESP), no Rio de Janeiro (RJ). O levantamento mostrou que o valor das mensalidades de cursos presenciais apresenta queda de 26,2% entre 2013 e 2026, com valores corrigidos pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Para o estudo, a base de comparação utilizada é a mediana, considerada ideal pela Hoper, já que a média elevaria excessivamente os números, em decorrência dos cursos com maior mensalidade. No primeiro ano da amostra, a mediana estava fixada em R$ 1.132. Em 2026, a queda chegou a R$ 835.

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Na modalidade de Ensino a Distância (EaD), a queda foi mais acentuada, chegando a variação de 59,1%. Os valores são de R$ 524 e R$ 214, referentes a 2013 e 2026, respectivamente. De acordo com o diretor geral da ABMES, Paulo Chanan, a movimentação do mercado reflete a competitividade e a sensibilidade do aluno quanto ao custo-benefício. “Antes, as universidades aumentavam mensalidade e não havia grande perda de matrículas. Hoje, com aumento da concorrência, o aluno analisa preço, qualidade, estrutura e modalidades”, disse. “Algumas instituições pararam no tempo quanto à estrutura. Áreas de lazer, tecnologia e comodidades pesam na avaliação do estudante atualmente.”

Diferenças regionais

O Sul permanece sendo a região com maior valor na mediana das mensalidades. Entretanto, nessa região é comum a política de oferta por matérias, o que permite o aluno definir a carga semanal cursada, com precificação paralela a essa escolha, elevando o preço médio das mensalidades. Na 2ª colocação está a região Sudeste, seguida do Centro-Oeste, Nordeste e Norte.

Sobre os cursos, medicina continua sendo o que mais pesa no bolso do universitário. Contudo, de acordo com Chanan, já há evidências de vagas ociosas em algumas instituições. “O movimento do egresso impacta no ingressante. Quando o estudante começa a perceber um mercado com empregabilidade mais díficil, ele não quer mais pagar aquela mensalidade alta”, afirmou.

Outro fator de relevância na pesquisa foram os dados decorrentes do novo marco regulatório do semipresencial. O on-line segue como opção de menor valor, com mediana de R$ 178, enquanto o semipresencial se tornou uma opção viável quanto ao custo-benefício, por ainda operar com valores próximos e oferecer a presencialidade, ainda que parcial. De acordo com o CEO da Hoper Educação, Caio Polizel, “com a regulamentação, os alunos de cursos que devem ser, no mínimo, semipresenciais, migram para essa modalidade, com preços maiores, porém próximos”.

*Estagiário sob a supervisão de Tharsila Prates. Viajou para o evento a convite da ABMES.

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