Ditadura Militar

UnB realiza ato público de pedido de desculpas por violações da ditadura

Cerimônia na Faculdade de Direito, nesta quinta-feira (2/7), homenageia Paulo de Tarso Celestino, advogado e militante da ALN desaparecido em 1971

João Pedro de Lara Resende
postado em 30/06/2026 17:04 / atualizado em 30/06/2026 17:35
Paulo de Tarso concluiu a graduação em Direito em 1969, dois anos antes de ser preso por agentes do DOI-Codi -  (crédito: Reprodução/Museu da Resistência)
Paulo de Tarso concluiu a graduação em Direito em 1969, dois anos antes de ser preso por agentes do DOI-Codi - (crédito: Reprodução/Museu da Resistência)
A Universidade de Brasília (UnB) e o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) promovem, nesta quinta-feira (2/7), às 16h, ato público de pedido de desculpas à população brasileira pelo reconhecimento das violações de direitos humanos cometidas pelo Estado durante a Ditadura Militar contra o advogado Paulo de Tarso Celestino da Silva, egresso do curso de direito da instituição.
A cerimônia está marcada para as 16h no auditório Esperança Garcia da Faculdade de Direito da UnB. A escolha do local valoriza a trajetória acadêmica e política do homenageado na Universidade e ressalta a relevância institucional da UnB no debate público sobre memória e verdade no país.

Quem foi Paulo de Tarso

Nascido em Morrinhos (GO), em 26 de maio de 1944, Paulo de Tarso Celestino da Silva era filho do advogado e ex-deputado federal Pedro Celestino da Silva Filho, cassado pelo AI-5. Concluiu o curso de humanidades em 1962 e formou-se em direito pela Universidade de Brasília. Foi presidente da Federação dos Estudantes Universitários de Brasília (Feub) e fez pós-graduação na Universidade de Sorbonne, na França.
Militante da Ação Libertadora Nacional (ALN), tornou-se um dos principais nomes da organização após a morte do líder Joaquim Câmara Ferreira. Paulo de Tarso tinha 27 anos quando foi preso por agentes do Centro de Inteligência do Exército (CIE) em Petrópolis (RJ), em 12 de julho de 1971, juntamente com Heleny Ferreira Telles Guariba. Ele desapareceu desde então.
O pai do advogado envidou esforços durante anos para obter informações sobre o filho, acionando o Ministério do Exército e a OAB, sem sucesso. Quase 45 anos após o desaparecimento, Paulo de Tarso foi considerado morto pela Lei 9.140/95, que reconhece a morte de pessoas detidas por agentes públicos durante a ditadura. O caso foi investigado pela Comissão da Verdade.
O ato desta quinta-feira integra as iniciativas de memória, verdade e reparação conduzidas pela Coordenação-Geral de Políticas de Memória e Verdade, ligada ao Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania. Segundo a pasta, a ação visa à reparação de Paulo de Tarso Celestino e da família lesada pela repressão.
*Estagiário sob a supervisão de Ana Sá

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