Enquanto a inteligência artificial avança a passos largos, a verdadeira revolução no ambiente empresarial brasileiro esbarra em um obstáculo invisível nas instâncias de governança: o abismo entre a velocidade da tecnologia e a maturidade estratégica dos conselhos de administração. Mas na Pré-Moldados Brasil, localizada em Ceilândia, no Distrito Federal, a transformação digital encontrou espaço para potencializar a operação antes mesmo de o tema virar pauta nos grandes fóruns corporativos. Sócio-diretor da empresa familiar fundada há mais de cinco décadas e hoje gerida pela terceira geração, Marcelo Silva Leite, de 38 anos, criou um sistema que mapeou, em 2024, que as perdas da fábrica giravam em torno de 7% de um consumo diário de 120 toneladas de concreto (cerca de 8,4 toneladas perdidas) e, em junho de 2026, esse índice despencou para 2,5% (equivalente a três toneladas), gerando uma economia de R$ 1.800 por dia em desperdício evitado.
A inspiração nasceu de uma viagem à China, onde Marcelo conheceu projetos de aplicação de IA no setor. "Um dos braços desse projeto no instituto de pesquisa chinês era, na saída do concreto, uma câmera filmando para verificar se o produto acabado estava bom ou ruim", relata o gestor, destacando que a ideia ganhou força após uma provocação da assessoria de Inovação e Desenvolvimento Tecnológico da Federação das Indústrias do Distrito Federal (Fibra) sobre o volume de refugo e desperdício. Engenheiro civil e de produção com pós-graduação em ciência de dados, o empresário decidiu que era hora de agir. Foi assim que nasceu a Tandera — nome inspirado no místico "olho de Thundercats que tudo podia ver." Utilizando uma câmera comum ligada à internet e conectada a um servidor em nuvem hospedado no Google, o sistema valida a qualidade do produto acabado diretamente na saída da esteira.
A diferença decisiva ocorreu no topo: a ideia e o orçamento foram apresentados ao conselho de administração da empresa familiar, e o risco foi aceito. Com o apoio da consultoria do programa Brasil Mais Produtivo, o resultado prático dessa aprovação estratégica foi drástico e o que começou como uma solução interna para a fábrica de médio porte — que, hoje, conta com 225 funcionários, sendo 129 na linha de produção — expandiu-se para além dos muros da empresa.
A Tandera transformou-se em uma startup que, hoje, presta serviços para outras 13 empresas na capital federal. Para o fundador, a escolha de comercializar a tecnologia teve um propósito estratégico maior do que apenas garantir exclusividade interna. "Em vez de tornar isso um diferencial competitivo, optamos por transformar em um produto para o mercado; o maior motivo foi subir a régua do mercado. Como são poucas empresas na região com essa característica, se regulamos o mínimo de qualidade, conseguimos elevar o nível de todo o setor", pontua Marcelo.
Exceção que confirma
Histórias de sucesso como a da Pré-Moldados Brasil, contudo, ainda representam uma exceção em um cenário corporativo que patina diante da inovação. Enquanto a inteligência artificial já se impõe como uma força implacável sobre a produtividade, a eficiência e a competitividade nas áreas operacionais e no C-level, um levantamento da StartSe revela que essa agenda encontra barreiras severas justamente onde as grandes diretrizes deveriam nascer: nos conselhos de administração.
Respondido integralmente por 77 conselheiros, executivos e lideranças, o estudo expõe uma desconexão profunda entre a urgência da transformação digital e a maturidade estratégica das instâncias de governança. O levantamento detalha os principais pontos de fricção que impedem os conselhos de liderar essa revolução, começando pela falta de repertório técnico: dos 74 líderes que avaliaram o tema, 61 afirmam que o conselho não possui expertise suficiente em inteligência artificial para apoiar decisões estratégicas, ou que o assunto sequer chegou ao nível de discussão do conselho administrativo. Essa lacuna é agravada pela ausência de estruturas dedicadas, já que, entre os 72 respondentes sobre a governança corporativa, 49 indicam que a companhia não possui um comitê voltado para a transformação digital.
Além da falta de estruturas formais, o estudo aponta uma renovação lenta nas instâncias de liderança, visto que, sobre sucessão e renovação das cadeiras, 61% dos 75 respondentes consideram o ritmo atual insuficiente ou parcialmente inadequado às necessidades estratégicas da empresa. Por fim, no que tange às barreiras culturais e de priorização, o maior obstáculo apontado para modernizar o conselho foi a falta de prioridade estratégica (32%), logo seguida pela resistência cultural (25%).
Esses dados demonstram que, especialmente em empresas de capital fechado e organizações familiares, a adoção da IA esbarra em um desafio que vai muito além da tecnologia: exige governança, visão de longo prazo e repertório estratégico — elementos fundamentais que o mercado ainda tenta alcançar para transformar iniciativas isoladas em diretrizes sistêmicas.
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O abismo tecnológico entre os conselhos de administração e a revolução digital
- 77% dos conselheiros e executivos afirmam que o conselho não tem expertise em IA para apoiar decisões estratégicas — ou o tema sequer é discutido.
- 68% das empresas não possuem um comitê dedicado à transformação digital.
- 61% consideram o ritmo de renovação dos conselhos insuficiente ou parcialmente inadequado às necessidades da companhia.
Obstáculos
- Falta de prioridade estratégica: 32%
- Resistência cultural: 25%
A IA já está no nível operacional, mas em 8 a cada 10 empresas, o conselho ainda não tem repertório para governar essa transformação.
Fonte: StartSe
Ecossistema de apoio
O sucesso de iniciativas como a Tandera na Pré-Moldados Brasil ilustra a direção que o ecossistema produtivo local busca impulsionar. O Hub da Indústria do Distrito Federal atua justamente para promover o uso da tecnologia na cadeia produtiva e elevar a maturidade digital do setor industrial brasiliense. Conduzido desde 2023 pela Fibra, o projeto atende micro, pequenas e médias indústrias por meio de capacitações em grupo, mentorias e consultorias individualizadas sobre temas vitais como gestão, liderança, planejamento estratégico, transformação digital, vendas e redes sociais.
Para o presidente da Fibra, Jamal Jorge Bittar, a modernização deixou de ser um diferencial opcional para se tornar uma questão de sobrevivência: "A eficiência operacional e a inovação tecnológica se tornaram pré-requisitos para a sustentabilidade financeira e a sobrevivência no mercado. O Hub da Indústria é um ambiente de troca de conhecimentos e experiências, de interação e de conexão entre empresas, em sintonia com a administração pública e instituições acadêmicas. Nosso propósito é fomentar a aceleração da transformação digital no setor industrial com foco na competitividade", sintetiza.
Quando se fala em digitalização e automatização nas plantas fabris, contar com profissionais capacitados que dominem as novas tecnologias é um pilar indispensável. No Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai-DF), os trabalhadores encontram opções de cursos para aprender uma profissão ou se aperfeiçoar em suas áreas de atuação, em um portfólio moldado para atender às demandas reais das empresas. Além da formação de mão de obra, a instituição apoia os negócios com soluções práticas para a melhoria de produtos, otimização de processos e redução de desperdícios. O portfólio de consultorias abrange desde a reestruturação de layout no chão de fábrica até a implementação de projetos avançados de inovação e novas tecnologias produtivas.
"Na indústria, a incorporação de novas tecnologias está na gestão, na logística, no chão de fábrica. Há um movimento importante no país, especialmente com a Nova Indústria Brasil, que criou um ambiente favorável à transformação digital. É muito importante que nossas empresas estejam preparadas para aproveitar essas oportunidades, portanto temos trabalhado bastante nesse sentido", conclui Jamal Jorge Bittar, que também preside o Conselho Regional do Senai-DF.
Revolução que se constrói com resultados
A Hplus Hotelaria, com mais de 24 anos, 800 colaboradores, 18 hotéis e R$ 1 bilhão em patrimônio, tem na inovação sua aposta estratégica. Segundo João Paulo Rocha, head de Negócios, a hospitalidade sempre foi intensiva em mão de obra e acolhimento, mas "o que mudou é que deixou de ser suficiente". Ele explica que a jornada do hóspede começa nas redes sociais, com perguntas cada vez mais específicas. "Responder nesse nível de detalhe, em escala, com 80 mil interações por mês, não se resolve contratando mais gente. Resolve-se com processo, dado e tecnologia sustentando as pessoas", pondera. Na Hplus, a demanda por IA partiu da própria CEO, Ana Paula Faure, que cobrou propostas de todas as diretorias. "Quando a pauta nasce no topo, ela deixa de ser iniciativa isolada e passa a ser estratégia da companhia", ressalta.
O grupo investiu em duas frentes: precificação (revenue management) e automação financeira. "Vender diária de hotel se aproximou muito de vender assento de avião", compara João Paulo. A modernização do revenue começou em 2016, mas o salto veio em 2022, com dados e maturidade da equipe. "Tecnologia não entrega no dia da instalação; entrega quando a operação aprende a usá-la", enfatiza. No financeiro, robôs capturam notas fiscais da Secretaria de Fazenda (Sefaz) e alimentam o ERP, com validação humana obrigatória. O projeto começou em 2026 e, segundo ele, "a automação assume o trabalho repetitivo e a decisão continua com pessoas. Em pagamento e classificação contábil, não abrimos mão da checagem humana".
O maior desafio foi cultural, com a insegurança gerada por sistemas novos. "Adoção não se decreta por comunicado interno; constrói-se mostrando resultado", afirmou. E os resultados vieram: no primeiro semestre de 2026, a diária média da Hplus em Brasília cresceu 8,5%, ante 2,8% do mercado. O RevPAR do setor caiu 1,5%, enquanto o da Hplus cresceu 1,1% — diferença de 2,6 pontos percentuais. "Em um mercado que recuou, crescer significa ganhar participação, e é isso que dá segurança sobre a estratégia adotada", conclui.
Letramento digital
A distância entre a operação e as instâncias de governança no ecossistema corporativo reflete, segundo o executivo de tecnologia Gustavo Bodra — com mais de 20 anos de experiência e passagens como CTO da StartSe e da Bridgen.ai —, um diagnóstico equivocado. Para ele, boa parte dos conselhos tratou a inteligência artificial como um modismo técnico ou um ganho incremental de produtividade, apostando que o mercado voltaria a um comportamento padrão. "Isso reflete uma lacuna de letramento digital real", aponta Bodra. "Muitos conselheiros consomem relatórios genéricos sobre o tema, mas não possuem a base técnica necessária para filtrar o que é valor real do que é apenas ruído de mercado. Sem esse filtro, o conselho acaba refém de apresentações da diretoria ou de consultorias externas, sem capacidade de questionar se a estratégia adotada traz vantagem competitiva sustentável ou se é apenas um uso superficial de ferramentas prontas", completa.
Essa visão superficial ajuda a explicar por que quase 70% das empresas ainda não possuem um comitê de transformação digital e por que a falta de prioridade estratégica lidera os entraves apontados no mercado. Para o especialista, a IA só deixa de ser um tema técnico quando o conselho entende que ela é a base de um novo modelo operacional. "Não estamos falando de comprar licenças de software ou automatizar tarefas básicas. Estamos falando de reconfigurar a estrutura de custos, a forma como a empresa gera receita e como ela se relaciona com o cliente", destaca, sublinhando que, quando o board percebe que a tecnologia impacta a margem e a viabilidade do negócio no longo prazo, a pauta deixa de ser uma preocupação isolada de TI e vira uma questão de sobrevivência e crescimento.
Os riscos decorrentes dessa ausência de domínio estratégico nos conselhos vão muito além da perda de competitividade. Conforme alerta o executivo, existem perigos estruturais severos: "Existe o risco de governança sobre a propriedade intelectual e o uso de dados sensíveis que, se mal geridos, geram passivos jurídicos imensos", pontua, acrescentando que a falta de expertise expõe a empresa a vulnerabilidades técnicas graves, ao custo de oportunidade e à perda de capital humano. "Profissionais de alta senioridade técnica não querem trabalhar em ambientes onde a estratégia digital é mal desenhada ou tratada com amadorismo. Ignorar a IA hoje é acelerar a obsolescência da empresa frente a competidores que já operam com uma base tecnológica muito mais robusta", acrescenta.
Diante do cenário em que 61% dos líderes consideram o ritmo de renovação das cadeiras insuficiente, Bodra detalha o perfil exigido do novo conselheiro: "Não é sobre ter alguém que saiba programar, mas alguém que saiba identificar se uma estratégia de IA é viável e escalável". Esse profissional precisa distinguir entre modelos preditivos e gerativos e traduzir a complexidade técnica para o ambiente de decisão do board. Esse descompasso é acentuado em empresas familiares e de capital fechado, onde o maior entrave é o apego a modelos de gestão passados. "Em empresas familiares, existe uma resistência natural em alterar processos que geraram patrimônio no passado. Essa cultura de preservação muitas vezes inibe a experimentação", avalia, reforçando que é necessário um choque de realidade para proteger o patrimônio corporativo.
Quando essa diretriz não parte do topo e a estratégia digital é tocada de baixo para cima, o resultado é a proliferação de silos tecnológicos e soluções desconexas que geram desperdício de recursos. Por fim, para o presidente de conselho de administração que deseja iniciar a modernização da governança, a recomendação de Bodra é direta. "Tratar a IA como uma pauta de transformação de modelo de negócio e não como uma compra de tecnologia", conclui, defendendo que o board institua processos contínuos de educação técnica para deixar de ser um órgão que apenas valida finanças e passar a direcionar a transição tecnológica da organização.
MetaIndústria
Apesar dos avanços da digitalização, muitas organizações ainda enfrentam dificuldades para absorver novas tecnologias, segundo avalia a gerente da Unidade de Difusão de Tecnologias da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), Isabela Gaya. Ela explica que os desafios envolvem mensurar o custo-benefício, escolher estratégias adequadas de implementação, identificar parceiros ideais e acessar os instrumentos de suporte disponíveis.
"Para gerar ganhos reais de produtividade e eficiência, soluções — como a Inteligência Artificial — precisam estar conectadas a problemas concretos, amparadas por governança de dados, processos e riscos, além da capacitação contínua das equipes e da mensuração rigorosa de resultados", pondera a especialista. Para Isabela, reduzir a distância entre a oferta tecnológica e sua aplicação prática no chão de fábrica exige instrumentos estruturados: diagnósticos estratégicos, simulações, provas de conceito (PoCs) em ambiente controlado, planos de adoção e escala, ecossistemas de suporte e métricas de impacto.
Foi para responder a essa demanda que a ABDI, em parceria com a SPI Integração de Sistemas, criou o MetaIndústria. O programa apoia as empresas em toda a jornada de avaliação, teste e validação de soluções tecnológicas inovadoras, oferecendo uma infraestrutura que mitiga riscos e acelera a tomada de decisão. A iniciativa ajuda o empreendedor a incluir novas tecnologias no processo produtivo, com acesso gratuito, por meio de trilhas de capacitação realizadas nos laboratórios de tecnologia do programa – localizados em São Leopoldo (RS) e em São Caetano do Sul (SP), em parceria com a SPI Integração de Sistemas.
Lançada em 2023, a iniciativa atende pequenos, médios e grandes negócios industriais, operando em uma plataforma que combina duas partes: uma física e outra digital. A parte física é composta pelos dois laboratórios, onde diversos parceiros tecnológicos se organizam para fornecer soluções completas. A parte digital, por sua vez, utiliza modelos virtuais das indústrias, nos quais é possível inserir dados reais e alcançar uma precisão de até 95% na simulação das respostas de uma planta real, permitindo testar a inserção de novas tecnologias de forma rápida e econômica, utilizando o Metaverso Industrial, o que gera grande economia de tempo.
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Artigo
IA sem governança é risco
"A inteligência artificial deixou de ser uma promessa para se tornar um fator determinante da competitividade empresarial. Hoje, ela influencia decisões sobre produtividade, eficiência operacional, inovação e gestão de riscos. No entanto, enquanto as diretorias executivas aceleram projetos de IA, muitos conselhos de administração ainda observam essa transformação à distância. Esse desalinhamento representa um dos maiores desafios da Administração contemporânea.
Antes de avançar, cabe um esclarecimento importante. Ao tratar dos conselhos de administração, faço referência aos órgãos colegiados responsáveis por definir os rumos estratégicos das empresas, proteger os interesses dos acionistas e supervisionar a atuação da diretoria executiva. Esses conselhos não se confundem com os Conselhos Federal e Regionais de Administração (Sistema CFA/CRAs), autarquias responsáveis pela fiscalização do exercício profissional da Administração e cuja missão é proteger a sociedade por meio da regulamentação e da valorização da profissão.
Os dados da pesquisa da StartSe evidenciam uma realidade preocupante: a tecnologia avança em ritmo muito superior à capacidade de parte dos boards de compreendê-la estrategicamente. A ausência de especialistas, de comitês voltados à transformação digital e a baixa renovação dos conselhos revelam que o problema não é apenas tecnológico, mas de governança.
Sob a ótica da administração, a função do conselho nunca foi executar, mas direcionar. Cabe ao board estabelecer prioridades, avaliar riscos, garantir a sustentabilidade do negócio e preparar a organização para o futuro. Quando a inteligência artificial não faz parte dessa agenda, decisões relevantes passam a ser tomadas sem uma visão integrada dos impactos éticos, regulatórios, financeiros e humanos envolvidos.
Outro aspecto crítico é a cultura organizacional. A resistência à mudança e a baixa prioridade dada ao tema mostram que muitas empresas ainda tratam a IA como uma iniciativa operacional, quando, na verdade, ela redefine modelos de negócio, cadeias de valor e competências profissionais. Ignorar esse movimento pode comprometer a capacidade de adaptação em mercados cada vez mais dinâmicos.
Mais do que dominar aspectos técnicos, os conselhos precisam desenvolver repertório para formular as perguntas certas: quais processos devem ser transformados? Quais riscos precisam ser mitigados? Como garantir o uso responsável da IA? Como preparar pessoas para trabalhar ao lado da tecnologia?
A administração ensina que organizações sustentáveis são aquelas capazes de antecipar cenários e transformar mudanças em vantagem competitiva. Nesse contexto, a inteligência artificial não deve ocupar apenas espaço nas operações. Ela precisa estar no centro das discussões estratégicas dos conselhos. Afinal, o futuro das empresas será definido não apenas pela tecnologia que adotam, mas pela qualidade da governança que orienta suas decisões."
Gilmar Camargo, vice-presidente do Conselho Federal de Administração (CFA)
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