Horror no Oriente Médio

Netanyahu mostra força no parlamento e aprova resolução contra Estado palestino

Com os votos de 99 dos 120 integrantes do Knesset, inclusive da oposição, primeiro-ministro de Israel aprova uma resolução contra qualquer "reconhecimento unilateral de um Estado palestino"

Homem anota os nomes de palestinos mortos em ataques, num cemitério improvisado em Rafah, no sul da Faixa de Gaza -  (crédito:  AFP)
Homem anota os nomes de palestinos mortos em ataques, num cemitério improvisado em Rafah, no sul da Faixa de Gaza - (crédito: AFP)
postado em 22/02/2024 06:00

Num momento delicado das relações com a comunidade internacional pela condução do enfrentamento ao Hamas, com agravamento da crise humanitária na Faixa de Gaza, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, obteve, ontem, uma expressiva vitória no parlamento. Com os votos de 99 dos 120 deputados, inclusive da oposição, a Knesset aprovou uma resolução proposta pelo premiê contra qualquer “reconhecimento unilateral de um Estado palestino”.

“Essa votação histórica demonstra nossa determinação coletiva”, escreveu Netanyahu na rede social X, para quem o placar “envia uma mensagem clara à comunidade internacional”. “Não recompensaremos o terrorismo com um reconhecimento unilateral em resposta ao massacre de 7 de outubro, da mesma forma que não aceitaremos soluções impostas”, acrescentou o primeiro-ministro.

A votação ocorreu poucos dias depois de o jornal The Washington Post divulgar que os Estados Unidos e vários países árabes estavam elaborando um plano global de paz com um cronograma para a criação de um Estado palestino após o término do conflito. A resolução enfatiza que “Israel rejeita categoricamente as resoluções internacionais sobre uma solução permanente com os palestinos”. O texto destaca que a solução só pode ser alcançada “por meio de negociações diretas entre as partes e sem condições prévias”.

Apresentada formalmente pelo premiê no último domingo, a medida estabelece que “Israel continuará se opondo ao reconhecimento unilateral” de um Estado palestino. “Uma declaração desse tipo após o massacre de 7 de outubro concederia uma enorme recompensa a um terrorismo sem precedentes e impediria qualquer acordo de paz futuro”, justificou.

A guerra foi desencadeada por uma incursão de extremistas do Hamas oriundos de Gaza, que mataram mais de 1.160 pessoas, na maioria civis, no sul de Israel e sequestraram cerca de 250, segundo um levantamento da AFP com base em dados oficiais israelenses.

O governo de Netanyahu retaliou com uma campanha de bombardeios e uma ofensiva terrestre contra a Faixa de Gaza, que até o momento deixou mais de 29 mil mortos, na maioria civis, de acordo com o Ministério da Saúde do enclave palestino governado pelo Hamas.
Fome

Cenário de bombardeios e de confrontos incessantes entre tropas israelenses e extremistas do Hamas, a Faixa de Gaza mergulha em uma grave crise humanitária. Entre terça-feira e ontem, foram registradas 118 mortes no território palestino. Segundo a ONU, 2,2 milhões dos quase 2,4 milhões dos habitantes de Gaza estão ameaçados pela fome.

A situação se agravou depois que o Programa Mundial de Alimentos (PMA) anunciou a suspensão das entregas no norte do território, devido à “violência” e ao “caos” que imperam na área. O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde, Tedros Adhanom, qualificou a situação “sanitária e humanitária” em Gaza como “desumana”.

O Crescente Vermelho palestino instou as instituições das Nações Unidas a “intensificarem sua ajuda, especialmente nas regiões do norte da Faixa de Gaza, onde 400 mil pessoas estão ameaçadas pela fome”.

Nessa preocupante conjuntura, Netanyahu anunciou sua determinação em lançar uma ofensiva militar contra Rafah — definida por ele como “último bastião” do Hamas — e em libertar os reféns sequestrados pelos islamistas. Na cidade, localizada na fronteira com o Egito, vivem 1,5 milhão de palestinos, a maioria deslocada pela guerra.

A possibilidade da ofensiva preocupa a comunidade internacional, devido ao risco de uma catástrofe humanitária. O governo israelense afirmou que, se os reféns não forem libertados antes do início do Ramadã, em 10 ou 11 de março, os combates se estenderão a essa localidade.

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