Em meio à escalada militar entre Estados Unidos, Israel e Irã, esta terça-feira (3/3) marca dois meses da captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro e da primeira-dama Cilia Flores por forças americanas. A operação realizada em 3 de janeiro, marcou um dos episódios mais incomuns da política internacional recente: a prisão de um chefe de Estado em exercício por militares estrangeiros.
Naquela madrugada, uma operação militar americana em Caracas resultou na prisão do líder chavista, posteriormente transferido para território norte-americano. A Casa Branca afirmou que a ação se baseava em acusações federais relacionadas a narcotráfico e narcoterrorismo. A imagem divulgada pelo governo dos EUA, mostrando Maduro sob custódia, tornou-se símbolo do episódio e provocou reações imediatas em diferentes capitais do mundo.
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Nas primeiras horas após a captura, aliados dos Estados Unidos defenderam a medida como parte do combate ao crime organizado transnacional. Já governos como Rússia, China e Irã classificaram a operação como violação da soberania venezuelana. A Organização das Nações Unidas (ONU) pediu contenção e respeito ao direito internacional.
Na Venezuela, a vice-presidente Delcy Rodríguez assumiu interinamente, enquanto o país enfrentava incertezas políticas e repercussões econômicas, especialmente no setor petrolífero. Ao longo de janeiro e fevereiro, tribunais americanos deram início aos trâmites processuais contra Maduro, enquanto a defesa do venezuelano contestava a legalidade da operação.
Nesta segunda-feira (02/3), o filho do casal, Nicolás Ernesto Maduro Guerra, de 35 anos, afirmou que os últimos dois meses foram os mais difíceis da vida da família. “Qualifiquei este momento como um dos mais difíceis da minha vida pessoal. A fé em Deus nos permitiu ter força todos os dias. Ele me disse que está tranquilo porque tem a fé intacta. Deus o salvou no 3 de janeiro. Se Deus o salvou é porque ainda há um propósito neste planeta. Ele tem a tranquilidade de consciência de que não cometeu nenhum delito”, declarou.
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Sessenta dias depois, o foco da tensão internacional mudou de região. Os ataques dos Estados Unidos e de Israel contra alvos iranianos recolocaram Washington no centro de uma nova crise geopolítica, desta vez no Oriente Médio.
Embora os contextos sejam distintos, a captura de Maduro marcou o início de um período de forte protagonismo militar americano. Enquanto os combates no Golfo Pérsico dominam a agenda global, a situação jurídica de Maduro segue em andamento nos Estados Unidos.
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