
Os Estados Unidos realizaram, neste sábado (3/1), uma ofensiva militar contra a Venezuela que capturou o presidente Nicolás Maduro, retirando-o do país. A ação, anunciada após explosões registradas em Caracas, provocou forte reação internacional. Rússia, Irã e Colômbia condenaram o ataque, enquanto a Espanha ofereceu mediação diplomática. Na contramão, o presidente argentino Javier Milei publicou mensagens alinhadas à narrativa americana.
A Rússia classificou a ofensiva dos Estados Unidos como “profundamente inquietante e condenável”. Em comunicado divulgado neste sábado, o Ministério das Relações Exteriores russo afirmou que não havia qualquer justificativa para o ataque e acusou Washington de substituir a diplomacia por confronto direto.
“Na manhã de hoje, os Estados Unidos cometeram um ato de agressão armada contra a Venezuela. Isso é profundamente preocupante e condenável”, diz a nota oficial. Segundo Moscou, “a hostilidade ideológica triunfou sobre o pragmatismo dos negócios”, em referência às tensões políticas e econômicas entre os dois países.
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O Irã também condenou duramente a operação. Em comunicado, o Ministério das Relações Exteriores iraniano afirmou que “condena energicamente o ataque militar americano contra a Venezuela e a flagrante violação da soberania nacional e da integridade territorial do país”, após Caracas acusar Washington de estar por trás das explosões na capital.
Na Colômbia, o presidente Gustavo Petro anunciou o envio de forças militares para a fronteira com a Venezuela. Segundo ele, os ataques norte-americanos representam “um ataque à soberania da América Latina” e podem desencadear uma crise humanitária, com novo fluxo migratório na região.
A Espanha adotou tom diplomático. O Ministério dos Negócios Estrangeiros espanhol informou estar pronto para atuar como mediador e apelou à desescalada. “A Espanha pede moderação e está disposta a oferecer seus bons ofícios para alcançar uma solução pacífica e negociada para a crise atual”, afirmou o governo.
Em sentido oposto, o presidente da Argentina, Javier Milei, fez publicações nas redes sociais com o slogan “Viva la libertad, carajo”, lema de seu partido La Libertad Avanza, em mensagens interpretadas como apoio ideológico à ação americana e à derrubada do governo venezuelano. Milei é um dos principais aliados políticos de Washington na América do Sul e crítico declarado de Maduro.
A chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, pediu neste sábado (3) contenção e respeito ao direito internacional.
Em publicação na rede social X, Kallas afirmou que conversou com o secretário de Estado americano, Marco Rubio, e reiterou que a União Europeia questiona a legitimidade democrática de Maduro. Ainda assim, ressaltou que “em qualquer circunstância, devem ser respeitados os princípios do direito internacional e da Carta das Nações Unidas”, fazendo um apelo à moderação das partes envolvidas.
Entenda o que aconteceu
Na madrugada deste sábado (3/01), explosões foram registradas em Caracas, levando o governo venezuelano a acusar os Estados Unidos de um ataque direto contra o país. Pouco depois, o presidente americano Donald Trump afirmou que forças dos EUA haviam capturado Nicolás Maduro e o retirado da Venezuela em uma operação militar.
O governo venezuelano decretou estado de alerta, classificou a ação como violação da soberania nacional e exigiu provas de vida do presidente. Até o momento, não há confirmação independente sobre o paradeiro de Maduro nem detalhes oficiais sobre onde ele estaria detido.
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Autoridades locais relataram instabilidade em serviços básicos, aumento da presença militar nas ruas e mobilização de forças de segurança em pontos estratégicos da capital.
Imagens mostram o momento dos ataques:
Conflito entre EUA e Venezuela
A escalada atual ocorre após anos de relações hostis entre Washington e Caracas. Desde o primeiro mandato de Donald Trump, os Estados Unidos impuseram sanções econômicas severas à Venezuela, especialmente sobre o setor petrolífero, principal fonte de receita do país.
Washington acusa o governo Maduro de autoritarismo, violações de direitos humanos, corrupção e envolvimento com o narcotráfico. Em resposta, Caracas denuncia tentativas de mudança de regime, ingerência estrangeira e ataques à sua soberania.
Nos últimos anos, os EUA ampliaram sua presença militar no Caribe, sob o argumento de combater o tráfico internacional de drogas, enquanto a Venezuela fortaleceu alianças estratégicas com Rússia, Irã e China.
A ofensiva anunciada neste sábado representa o maior confronto direto entre os dois países até agora e eleva o risco de instabilidade regional, com impactos políticos, humanitários e econômicos ainda imprevisíveis.

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