LESTE EUROPEU

Trégua Ortodoxa entre Rússia e Ucrânia entra em vigor neste sábado

Cessar-fogo de 32 horas começa com troca de prisioneiros e alertas de retaliação; ataques com drones marcaram horas anteriores

A trégua entre Rússia e Ucrânia pela Páscoa Ortodoxa entrou em vigor neste sábado (11/4) na linha de frente do conflito, com duração prevista de 32 horas. Apesar da pausa anunciada por Moscou e aceita por Kiev, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, advertiu que o Exército responderá “golpe por golpe” a qualquer violação do cessar-fogo.

O Kremlin informou que a suspensão das hostilidades começou às 16h no horário local (10h em Brasília) e se estenderá até o fim do domingo. A ordem para interromper as operações militares foi transmitida ao ministro da Defesa russo, Andrei Belousov, e ao chefe do Estado-Maior, Valeri Gerasimov.

Mesmo com o anúncio da trégua, as horas que antecederam sua entrada em vigor foram marcadas por intensificação dos ataques. Segundo autoridades ucranianas, pelo menos 160 drones foram lançados pela Rússia durante a noite, resultando na morte de quatro pessoas nas regiões leste e sul do país. Bombardeios também deixaram feridos em áreas como Sumi e Kramatorsk.

Do lado russo, ataques com drones atribuídos à Ucrânia atingiram a região de Krasnodar, provocando incêndio em um depósito de petróleo e danos a edifícios residenciais. Autoridades instaladas por Moscou em áreas ocupadas de Donetsk informaram ainda a morte de duas pessoas.

Em paralelo, os dois países realizaram uma troca de prisioneiros de guerra: 175 militares foram libertados de cada lado, além de 14 civis, sete ucranianos e sete russos, devolvidos aos seus territórios.

A guerra, iniciada com a invasão russa em fevereiro de 2022, já deixou centenas de milhares de mortos e milhões de deslocados, sendo considerada o conflito mais sangrento na Europa desde a Segunda Guerra Mundial.

Avanço russo perde força

Nos últimos meses, os combates na linha de frente perderam intensidade relativa, enquanto ataques com drones passaram a dominar a dinâmica do conflito. Embora a Rússia tenha obtido ganhos territoriais graduais, esses avanços vêm desacelerando desde o fim de 2025, segundo o Instituto para o Estudo da Guerra (ISW), com sede nos Estados Unidos.

Analistas apontam que a desaceleração está ligada, entre outros fatores, a restrições no uso de tecnologias essenciais. A Rússia enfrenta limitações no acesso à rede de satélites SpaceX, responsável pelo sistema Starlink, além de dificuldades relacionadas ao uso do aplicativo Telegram, amplamente utilizado na coordenação de operações com drones.

Apesar disso, a situação permanece desfavorável para a Ucrânia em regiões estratégicas como Donetsk. Moscou exige a retirada das forças ucranianas de cidades-chave como condição para um eventual acordo de paz, exigência rejeitada por Kiev, que considera a proposta equivalente a uma rendição.

Atualmente, a Rússia controla mais de 19% do território ucraniano, incluindo a península da Crimeia, anexada em 2014, e grande parte da região do Donbass, formada por Donetsk e Lugansk.

Nos últimos dias, a Ucrânia intensificou ataques contra infraestrutura energética russa, especialmente portos exportadores de petróleo. A movimentação ocorre em meio à alta global dos preços do petróleo, impulsionada também por tensões no Oriente Médio, cenário que favorece economicamente Moscou.

As negociações de paz seguem em impasse. Rodadas conduzidas com apoio dos Estados Unidos não avançaram, e o foco recente de Washington em outras crises internacionais contribuiu para a estagnação do diálogo.

Uma trégua semelhante foi anunciada na Páscoa Ortodoxa do ano passado, mas acabou sendo marcada por acusações mútuas de descumprimento. Desta vez, apesar do cessar-fogo formal, o histórico recente indica que a pausa pode ser frágil.

Com informações da Agência France-Presse*

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