O Hotel Hilton, em Washington, onde um atirador interrompeu um jantar em que o presidente dos Estados Unidos Donald Trump estava presente, no sábado (25/4), já foi palco de outro evento dramático na polícia norte-americana. Em 1981, o então presidente Ronald Reagan foi baleado ao deixar o mesmo hotel.
Na época, o Hotel Hilton era considerado um dos mais seguros para aparições públicas dos presidentes norte-americanos. O atentado aconteceu após Reagan discursar em um evento da Federação Americana do Trabalho e Congresso de Organizações Industriais. Ele se dirigia à limusine oficial quando John Hinckley Jr, de 25 anos, se infiltrou entre os repórteres que aguardavam o presidente e disparou descarregou um revólver calibre 22.
Reagan foi atingido na axila por uma bala que ricocheteou na limusine. O secretário de imprensa James Brady, o agente do Serviço Secreto Timothy McCarthy e o policial Thomas Delahanty também ficaram feridos.
O projétil parou a 25 milímetros do coração de Reagan. O então presidente precisou passar por uma cirurgia e se recuperou rapidamente. James Brady, atingido na cabeça, sofreu com sequelas pelo resto da vida. Ele se tornou um fiel apoiador do controle de armas nos Estados Unidos após o atentado.
Em 1993, a Lei Brady de Prevenção da Violência com Armas de Fogo foi aprovada no país, tornando obrigatória a verificação de antecedentes criminais para compradores de armas.
Taxi driver
O motivo do atentado foi a obsessão de Hinckley pela atriz Jodie Foster, que estrelou o filme Taxi Driver (1976), de Martin Scorsese. Na ficção, um taxista mentalmente perturbado, interpretado por Robert Deniro, planeja assassinar o presidente dos Estados Unidos.
Hinckley já havia enviado diversas cartas e bilhetes à Jodie Foster, que aos 12 anos interpretou Iris em Taxi Driver, uma criança vítima de tráfico sexual. Ele acreditava que o atentado na vida real impressionaria a atriz.
Em 1982, Hinckley foi declarado mentalmente incapaz e ficou internado em um hospital psiquiátrico até 2016. Até hoje, ele não demonstra nenhum arrependimento pelo caso e considera que a tentativa de assassinato foi uma “demonstração de amor”.
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Brasileiro registrou o atentado
O atentado no Hotel Hilton, em 1981, também mudou a vida de um fotógrafo brasileiro. Sebastião Salgado, morto em 2025, estava presente no momento do tiroteio e conseguiu registrar, a poucos metros de distância, a ação dos agentes do Serviço Secreto.
Os registros mais famosos do dramático evento são de altoria de Salgado. As fotografias foram vendidas para jornais do mundo inteiro e, com o dinheiro, o fotógrafo pôde ir à África pela primeira vez e iniciar os registros que o tornaram mundialmente famoso.
