AÇÃO HUMANITÁRIA

Médicos Sem Fronteiras: sistema de saúde da Venezuela está "colapsado"; saiba como doar

Destruição de estradas e prédios colapsados fazem com que trajetos de 30 minutos demorarem até 5 horas para equipes de resgate. Confira canais oficiais para ajudar as vítimas

Médico Sem Fronteiras enviou kits de atendimento emergencial para Caracas e La Guaira -  (crédito: MARYORIN MENDEZ / AFP)
Médico Sem Fronteiras enviou kits de atendimento emergencial para Caracas e La Guaira - (crédito: MARYORIN MENDEZ / AFP)

O agravamento da crise humanitária provocada pelos terremotos na Venezuela levou a Médico Sem Fronteiras a itensificar as ações de assistência no país e reforçar o apelo por doações.

Em entrevista concedida à CBN, o coordenador de operações da organização para a América Latina e o Caribe, Fabio Biolchini, afirmou que o número de mortos, que já ultrapassava 1,4 mil vítimas neste sábado (27), ainda pode aumentar nos próximos dias, já que muitas pessoas continuam desaparecidas e diversas áreas seguem de difícil acesso. 

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Segundo ele, a destruição causada pelos tremores comprometeu a chegada das esqquipes de resgate às regiões mais afetadas. 

"Existem tantos prédios colapsados, tantos bairros que estão inacessíveis, que para você chegar num local onde antes demorava 30 minutos, hoje demora 4 ou 5 horas", relatou.

Sistema de saúde enfrenta colapso 

Biolchini destacou que a rede de saúde venezuelana já enfrentava dificuldades antes da tragédia em razão da crise econômica do país. Com os danos provocados pelos terremotos, parte dos hospitais foi atingida ou precisou interromper as atividades por problemas estruturais. 

"Realmente é um sistema de saúde completamente colapsado e sobrecarregado", relatou à rádio. 

Nas primeiras horas após o desastre, o MSF enviou kits de atendimento para hospitais de Caracas e de La Guaira, uma das localidades mais atingidas. De acordo com a organização, a falta de medicamentos, materiais hospitalares e insumos para cirurgias de urgência está entre as principais necessidades identificadas. 

Além do atendimento aos feridos, a entidade também atua no suporte psicológico às vítimas e aos profissionais envolvidos nas operações de resgate.

Risco de surtos preocupa equipes

O representante do MSF alertou ainda para os riscos sanitários decorrentes da destruição da infraestrutura. A interrupção do abastecimento de água, danos à rede de esgoto e a concentração de pessoas em abrigos provisórios podem favorecer o aparecimento de doenças. 

"Quando o sistema colapsa, você também tem problemas, às vezes, na rede de esgoto que é cortada, falta de água, pessoas que estão vivendo juntas em abrigos", disse.

Biolchini acrescentou que a suspensão de tratamentos médicos e das campanhas de vacinação amplia o risco de novos surtos. "Isso proporciona ali um terreno fértil para novas doenças aparecerem, e possíveis epidemias, inclusive", completou.

Saiba como doar 

O Médico Sem Fronteiras recebe doações para financiar suas operaçõees humanitárias em diferentes regiões do mundo, incluindo atendimento às vítimas dos terremotos na Venezuela. 

As contribuições podem ser feitas diretamente pelos canais oficiais da organização, em modalidades de doação única ou recorrente, e são destinadas ao custeio de medicamentos, materiais médicos, equipes especializadas e outras ações de emergência.

As contribuições podem ser feitas pelo site oficial da organização (https://www.msf.org.br), na modalidade de doação única ou mensal. O pagamento pode ser realizado por Pix, cartão de crédito, boleto bancário e, no caso das contribuições recorrentes, também por débito automático.

A entidade informa que os recursos são destinados ao custeio de medicamentos, materiais hospitalares, equipes médicas e demais ações de resposta a emergências humanitárias.

Também é possível receber mais informações por meio do endereço eletrônico doador@msf.org.br ou pelos números de telefone: 4000-2550 ou 0800 940 3585. 

Terremotos foram sentidos no Brasil

Os terremotos ocorreram na noite de quarta-feira (24/6) e, conforme o governo da Venezuela, foram sucedidos por pelo menos 20 tremores secundários nas horas seguintes. Além do território venezuelano, os abalos puderam ser percebidos em municípios da região Norte do Brasil.

Separados por menos de um minuto, os dois sismos causaram danos severos em Caracas e em outras localidades do país, derrubando prédios, casas e outras construções.

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postado em 28/06/2026 10:27 / atualizado em 28/06/2026 10:39
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