
O novo responsável do Departamento de Estado dos Estados Unidos pelas relações com a América Latina, Juan Pablo Segura, já adotou uma postura crítica em relação ao Brasil.
Antes mesmo de chegar ao cargo, Juan questionou uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) envolvendo a plataforma X e afirmou que medidas contra empresas norte-americanas poderiam entrar em conflito com a liberdade de expressão.
O norte-americano passou a ocupar, na sexta-feira (14/8), a secretaria-assistente para Assuntos do Hemisfério Ocidental, área do governo dos EUA responsável pelas relações com os países das Américas. Ele havia sido indicado pelo presidente Donald Trump em abril e teve a nomeação aprovada pelo Senado dos Estados Unidos neste mês.
Críticas ao Brasil
A manifestação de Juan Pablo Segura sobre o país ocorreu em fevereiro de 2025, depois que o ministro Alexandre de Moraes, do STF, aplicou uma multa de R$ 8 milhões ao X por não cumprir uma determinação judicial.
A ordem estava relacionada ao fornecimento de dados cadastrais de uma conta atribuída ao blogueiro Allan dos Santos, além da suspensão do perfil.
Na ocasião, o então indicado para o cargo no Departamento de Estado afirmou que decisões brasileiras poderiam representar uma ameaça à liberdade de expressão de pessoas que vivem nos Estados Unidos.
"Bloquear o acesso a informações e aplicar multas a empresas sediadas nos EUA por se recusarem a censurar pessoas que vivem nos Estados Unidos é incompatível com valores democráticos, incluindo a liberdade de expressão", escreveu.
A publicação recebeu uma reação do empresário Elon Musk, proprietário do X, que respondeu à mensagem com emojis de apoio.
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— Elon Musk (@elonmusk) February 28, 2025
Posteriormente, em agosto, Segura voltou a se manifestar sobre o cenário político brasileiro, desta vez para criticar a decisão do ministro Alexandre de Moraes, que determinou a prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Na publicação, o secretário-assistente afirmou que o magistrado estaria usando as instituições brasileiras para restringir a atuação da oposição e disse que os Estados Unidos poderiam responsabilizar pessoas que contribuíssem para o cumprimento de medidas consideradas sancionadas por Washington.
O ministro Alexandre de Moraes, já sancionado pelos Estados Unidos por violações de direitos humanos, continua usando as instituições brasileiras para silenciar a oposição e ameaçar a democracia. Impor ainda mais restrições à capacidade de Jair Bolsonaro de se defender…
— Juan Pablo Segura (@WHAAsstSecty) August 5, 2025
Prioridades no governo Trump
Poucos dias depois de assumir oficialmente a nova função, Segura voltou às redes sociais, na segunda-feira (17/8), para apresentar as prioridades que pretende defender à frente da secretaria-assistente. A mensagem foi alinhada à política externa anunciada pelo governo Trump para a região, com ênfase no combate ao narcotráfico e na segurança das fronteiras.
"Junto com nossa excepcional equipe, impulsionaremos a visão do presidente Trump para que nossa região esteja a salvo dos cartéis e dos narcoterroristas, se gere prosperidade para os americanos e nossos associados e se assegurem nossas fronteiras", escreveu.
Es un gran honor servir al @POTUS, al @SecRubio y al pueblo de EE. UU. como secretario adjunto para Asuntos del Hemisferio Occidental. Junto con nuestro excepcional equipo, impulsaremos la visión del Presidente Trump para que nuestra región esté a salvo de los carteles y los…
— Juan Pablo Segura (@WHAAsstSecty) August 17, 2026
A chegada de Segura ao posto ocorre em meio a uma fase de maior tensão diplomática entre Brasília e Washington. Em 4 de agosto, o governo norte-americano revogou o visto da embaixadora brasileira nos Estados Unidos, Maria Luiza Ribeiro Viotti.
Segundo o governo norte-americano, a decisão esteve relacionada à demora do governo brasileiro em conceder o aval necessário para a nomeação de Daniel Perez como novo embaixador dos Estados Unidos em Brasília.
Pouco antes, o Itamaraty havia recusado a concessão de vistos para dois diplomatas do Departamento de Estado que planejavam viajar ao Brasil. Segundo o jornal The Washington Post, os dois fariam parte de uma iniciativa destinada a contestar o sistema eleitoral brasileiro. O governo dos Estados Unidos, contudo, nega essa finalidade.
Quem é Juan Pablo Segura
Republicano, Segura chegou ao comando da área de Assuntos do Hemisfério Ocidental em 14 de agosto, após uma trajetória que combina atuação empresarial e passagem pela administração pública.
Em 2023, ele disputou uma vaga no Senado estadual da Virgínia, mas acabou derrotado por um candidato do Partido Democrata. Dois anos depois, durante o governo do republicano Glenn Youngkin, foi escolhido para comandar o Departamento de Comércio e Desenvolvimento Econômico do estado.
A função o colocou à frente das políticas de comércio internacional da Virgínia, além de iniciativas destinadas à atração de investimentos para o estado. Antes de ingressar no setor público, Segura havia construído a maior parte de sua carreira no meio empresarial.

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