BRASIL - EUA

Novo chefe dos EUA para América Latina já criticou Moraes e STF

Antes de assumir o cargo, Juan Pablo Segura questionou multas aplicadas a empresas norte-americanas, prisão de Bolsonaro e defendeu liberdade de expressão

Juan Pablo Segura assumiu a secretaria-assistente para Assuntos do Hemisfério Ocidental dos Estados Unidos em 14 de agosto de 2026 -  (crédito: Divulgação/Departamento de Estado dos Estados Unidos)
Juan Pablo Segura assumiu a secretaria-assistente para Assuntos do Hemisfério Ocidental dos Estados Unidos em 14 de agosto de 2026 - (crédito: Divulgação/Departamento de Estado dos Estados Unidos)

O novo responsável do Departamento de Estado dos Estados Unidos pelas relações com a América Latina, Juan Pablo Segura, já adotou uma postura crítica em relação ao Brasil.

Antes mesmo de chegar ao cargo, Juan questionou uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) envolvendo a plataforma X e afirmou que medidas contra empresas norte-americanas poderiam entrar em conflito com a liberdade de expressão.

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O norte-americano passou a ocupar, na sexta-feira (14/8), a secretaria-assistente para Assuntos do Hemisfério Ocidental, área do governo dos EUA responsável pelas relações com os países das Américas. Ele havia sido indicado pelo presidente Donald Trump em abril e teve a nomeação aprovada pelo Senado dos Estados Unidos neste mês.

Críticas ao Brasil 

A manifestação de Juan Pablo Segura sobre o país ocorreu em fevereiro de 2025, depois que o ministro Alexandre de Moraes, do STF, aplicou uma multa de R$ 8 milhões ao X por não cumprir uma determinação judicial.

A ordem estava relacionada ao fornecimento de dados cadastrais de uma conta atribuída ao blogueiro Allan dos Santos, além da suspensão do perfil.

Na ocasião, o então indicado para o cargo no Departamento de Estado afirmou que decisões brasileiras poderiam representar uma ameaça à liberdade de expressão de pessoas que vivem nos Estados Unidos.

"Bloquear o acesso a informações e aplicar multas a empresas sediadas nos EUA por se recusarem a censurar pessoas que vivem nos Estados Unidos é incompatível com valores democráticos, incluindo a liberdade de expressão", escreveu.

A publicação recebeu uma reação do empresário Elon Musk, proprietário do X, que respondeu à mensagem com emojis de apoio.

Posteriormente, em agosto, Segura voltou a se manifestar sobre o cenário político brasileiro, desta vez para criticar a decisão do ministro Alexandre de Moraes, que determinou a prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Na publicação, o secretário-assistente afirmou que o magistrado estaria usando as instituições brasileiras para restringir a atuação da oposição e disse que os Estados Unidos poderiam responsabilizar pessoas que contribuíssem para o cumprimento de medidas consideradas sancionadas por Washington.

 

Prioridades no governo Trump

Poucos dias depois de assumir oficialmente a nova função, Segura voltou às redes sociais, na segunda-feira (17/8), para apresentar as prioridades que pretende defender à frente da secretaria-assistente. A mensagem foi alinhada à política externa anunciada pelo governo Trump para a região, com ênfase no combate ao narcotráfico e na segurança das fronteiras.

"Junto com nossa excepcional equipe, impulsionaremos a visão do presidente Trump para que nossa região esteja a salvo dos cartéis e dos narcoterroristas, se gere prosperidade para os americanos e nossos associados e se assegurem nossas fronteiras", escreveu.

A chegada de Segura ao posto ocorre em meio a uma fase de maior tensão diplomática entre Brasília e Washington. Em 4 de agosto, o governo norte-americano revogou o visto da embaixadora brasileira nos Estados Unidos, Maria Luiza Ribeiro Viotti.

Segundo o governo norte-americano, a decisão esteve relacionada à demora do governo brasileiro em conceder o aval necessário para a nomeação de Daniel Perez como novo embaixador dos Estados Unidos em Brasília.

Pouco antes, o Itamaraty havia recusado a concessão de vistos para dois diplomatas do Departamento de Estado que planejavam viajar ao Brasil. Segundo o jornal The Washington Post, os dois fariam parte de uma iniciativa destinada a contestar o sistema eleitoral brasileiro. O governo dos Estados Unidos, contudo, nega essa finalidade.

Quem é Juan Pablo Segura

Republicano, Segura chegou ao comando da área de Assuntos do Hemisfério Ocidental em 14 de agosto, após uma trajetória que combina atuação empresarial e passagem pela administração pública.

Em 2023, ele disputou uma vaga no Senado estadual da Virgínia, mas acabou derrotado por um candidato do Partido Democrata. Dois anos depois, durante o governo do republicano Glenn Youngkin, foi escolhido para comandar o Departamento de Comércio e Desenvolvimento Econômico do estado.

A função o colocou à frente das políticas de comércio internacional da Virgínia, além de iniciativas destinadas à atração de investimentos para o estado. Antes de ingressar no setor público, Segura havia construído a maior parte de sua carreira no meio empresarial.

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postado em 18/08/2026 09:44
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