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Como funciona a jornada de trabalho em outros países ao redor do mundo

De mudanças na América Latina às jornadas mais longas na Ásia, países adotam regras diferentes para definir o tempo dedicado ao trabalho

A gestão do tempo e a análise de resultados financeiros são temas centrais no debate sobre a jornada de trabalho no cenário global -  (crédito: Freepik)
A gestão do tempo e a análise de resultados financeiros são temas centrais no debate sobre a jornada de trabalho no cenário global - (crédito: Freepik)

A discussão sobre a redução da jornada de trabalho não fica só no Brasil. Em diferentes partes do mundo, países adotam limites distintos para as horas trabalhadas, e as diferenças aparecem tanto nas leis quanto na rotina dos trabalhadores.

Na América Latina, alguns países já reduziram a carga horária semanal ou estão em processo de mudança. Na Europa, a França é uma das principais referências, com jornada legal de 35 horas. Já na Ásia, países como Japão, Coreia do Sul e China enfrentam desafios relacionados às longas jornadas.

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América Latina avança em ritmos diferentes

No Brasil, a jornada normal é de até oito horas diárias e 44 horas semanais. A proposta de acabar com a escala 6x1, que prevê seis dias de trabalho para um de descanso, está em discussão no Senado nesta quarta-feira (14/10). Outros países da região já reduziram esse limite ou também estão mudando suas regras.

No Equador, a jornada normal é de 40 horas semanais, geralmente distribuídas em cinco dias. A Colômbia chegou a 42 horas semanais em julho de 2026, após uma redução gradual que começou em 2023, sem corte salarial.

O Chile também está reduzindo a carga horária. Desde abril de 2026, o limite caiu de 44 para 42 horas semanais. A previsão é chegar a 40 horas em 2028.

No México, uma reforma prevê a redução gradual de 48 para 40 horas semanais até 2030, sem diminuição dos salários. A redução começa em 2027, com duas horas a menos por ano. 

Estados Unidos não têm limite geral de 40 horas

Nos Estados Unidos, a legislação federal não estabelece um teto geral de 40 horas semanais. Muitos trabalhadores têm direito a receber hora extra quando ultrapassam essa carga horária, mas isso não significa que jornadas mais longas sejam proibidas. O país também não garante férias anuais remuneradas a todos os trabalhadores por lei federal.

E no Canadá?

No Canadá, as regras variam conforme a província e o setor. Para trabalhadores abrangidos pela legislação federal, a jornada padrão é de 40 horas semanais, e as horas extras geralmente dão direito a pagamento adicional. O limite máximo costuma ser de 48 horas por semana, embora existam exceções. 

Europa tem jornadas menores em alguns países

A França é um dos exemplos mais conhecidos de redução da jornada. Desde 2000, a duração legal do trabalho para empregados adultos em tempo integral no setor privado é de 35 horas semanais. Isso não impede a realização de horas extras, previstas na legislação.

Na União Europeia, a regra geral estabelece um limite médio de 48 horas semanais, incluindo horas extras, além de períodos mínimos de descanso. Os países podem adotar regras mais favoráveis aos trabalhadores.

Em 2024, a maioria dos países europeus analisados tinha jornadas normais de até 40 horas semanais. França e Bélgica estavam entre as exceções, com limites legais de 35 e 38 horas, respectivamente.

Vale lembrar que a jornada prevista em lei não é necessariamente a mesma que as pessoas cumprem na prática. Um trabalhador pode ultrapassar o horário normal com horas extras, por exemplo, desde que respeite as regras aplicáveis.

Na Ásia, jornadas longas ainda são um desafio

No Japão, a jornada legal padrão é de 40 horas semanais. Apesar disso, o país ficou conhecido pela cultura de longos expedientes e pela pressão profissional, que mantêm o excesso de trabalho no centro das discussões.

A Coreia do Sul também estabelece uma jornada normal de 40 horas por semana. Com as horas extras permitidas, o limite geral pode chegar a 52 horas semanais.

Na China, a legislação prevê oito horas diárias e uma média de 44 horas semanais. Na prática, porém, parte dos trabalhadores enfrenta jornadas muito mais longas.

Um exemplo é a chamada cultura “996”, que descreve a rotina das 9h às 21h, seis dias por semana, totalizando 72 horas. A prática foi considerada ilegal pelos tribunais chineses em 2021, mas continuou presente em determinados ambientes profissionais. Em 2025, a média semanal de trabalho no país chegou a 48,5 horas nos primeiros cinco meses do ano, segundo dados levantados pela Reuters.

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postado em 14/10/2026 17:35 / atualizado em 14/10/2026 17:41
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