ARTIGO

Os racistas insistem

A punição, ainda que mais rigorosa, não inibe racistas. Eles expressam claramente, ou de maneira tácita, o repúdio que têm em relação aos de pele preta

Racismo é crime -  (crédito: maurenilson)
Racismo é crime - (crédito: maurenilson)

"Tenho nojo de preto", gritou a mulher para um senhor negro na portaria do bloco onde ela reside em Belo Horizonte. O vídeo exibido pela TV Globo, no último dia 13, é prova inconteste de racismo, comportamento que contamina grande parcela da sociedade brasileira. Os afrodescendentes somam 56,7% da população brasileira, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e, como maioria, são os mais afetados pelas desigualdades socioeconômicas, nódoas nunca apagadas do tecido demográfico do país.

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O racismo é crime inafiançável e imprescritível, como previsto na Constituição de 1988 e na Lei nº 7.716/1989 (Lei Caó). Em 2023, a punição aos racistas tornou-se mais rigorosa, por meio da Lei nº 14.532/2023 e por alteração no Código Penal, que pune a injúria racial (ofensa à honra de alguém por raça, cor, etnia, religião ou origem) com penas que variam de dois a cinco anos de prisão e multa.

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Mas a punição, ainda que mais rigorosa, não inibe os racistas. Eles expressam claramente, ou de maneira tácita, o repúdio que têm em relação aos de pele preta. Dessa forma, só no ano passado, foram 5.552 processos judiciais, um aumento de 64% em relação a 2023 — um dado, até pouco tempo, inimaginável. O Judiciário encerrou 2024 com 13 mil processos por racismo à espera de julgamento.

O avanço dos discursos de ódio e o aumento das células neonazistas no governo, principalmente na Região Sul, contribuíram para acirrar as agressões não só aos afrodescendentes. Indígenas, mulheres e pessoas em situação de rua também são alvos dos supremacistas brancos. Essas ofensivas movimentaram a rotina do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco) no fim do ano passado. Foram cumpridos 21 mandados de busca e apreensão em cidades de Santa Catarina, São Paulo, Paraná e Sergipe.

Mais rigor na legislação não é suficiente para reverter o comportamento criminoso de vários grupos preconceituosos que conspiram contra quaisquer políticas que tentam eliminar as desigualdades de raça, cor, gênero, social ou econômica.

Os educadores têm papel importante para desmontar os falsos e tradicionais conceitos que são raízes do racismo e das mais diversas expressões de violência e de discriminação. Quando uma mulher ou um homem branco vocifera ter ódio de negro, percebe-se, lamentavelmente, que, em pleno século 21, não conseguiu atravessar o tempo e segue prisioneira(o) dos ultrapassados costumes do século 16 — período colonial.

 

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postado em 05/02/2026 06:00
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