ELEIÇÕES

O fenômeno Augusto Cury e o novo mapa das redes na eleição presidencial

Enquanto eleitores demonstram cansaço com a polarização, engajamento digital e explosão de buscas definem os novos rumos da campanha presidencial

Cury atingiu dois dígitos em sondagens eleitorais divulgadas nesta semana e se consolidou como terceira via, bem à frente de Ronaldo Caiado e Renan Santos -  (crédito:  Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
Cury atingiu dois dígitos em sondagens eleitorais divulgadas nesta semana e se consolidou como terceira via, bem à frente de Ronaldo Caiado e Renan Santos - (crédito: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)

A terceira semana da campanha pelo Planalto se aproxima do fim com uma constatação. As redes sociais continuam como o principal front de batalha entre os candidatos. Mesmo com pesquisas mostrando que os eleitores estão cansados da polarização e embates nas plataformas, dois fatos indicam que Instagram, X e TikTok, principalmente, serão decisivos.

O primeiro é o salto de Augusto Cury nas pesquisas depois de uma expansão expressiva na presença digital. O candidato do Avante atingiu dois dígitos em sondagens eleitorais divulgadas nesta semana e se consolidou como terceira via, bem à frente de Ronaldo Caiado e Renan Santos. Cury também foi o candidato mais procurado no Google e ganhou mais de 2 milhões de seguidores em menos de uma semana. A audiência nas redes sociais saltou de 8,3 milhões para quase 11 milhões. Não é pouca coisa. Em uma campanha cada vez mais dependente da exposição digital, essa velocidade ajuda a explicar a mudança de patamar do candidato.

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O crescimento chamou a atenção dos adversários. Há monitoramento sobre o que é considerado um avanço incomum. Um dos dados que alimentam a curiosidade é o pico de buscas por Cury na Índia, registrado pelo Google Trends. O dado, isoladamente, não permite concluir a origem ou a razão desse movimento. Serve, porém, para mostrar o tamanho da disputa por atenção nas plataformas.

O segundo fato também está diretamente relacionado. A crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal transformou-se em um ponto de inflexão nas redes. Levantamento do Instituto Democracia em Xeque aponta 1,1 milhão de menções a Alexandre de Moraes, sua família e Daniel Vorcaro, produzidas por 120,4 mil autores únicos, com 11,8 milhões de interações em um intervalo de 24 horas, a partir da derrubada do sigilo da investigação pelo ministro André Mendonça. O volume permaneceu elevado durante a tarde e a noite de terça-feira e voltou a ganhar força na manhã seguinte.

A direita transformou as revelações em pressão por consequências contra Moraes. Perfis desse campo passaram a defender investigação, impeachment, afastamento e prisão do ministro. A mobilização também foi incorporada à preparação para o 7 de Setembro. A crise no Supremo e o pedido de impeachment de Moraes aparecem como principal justificativa para levar apoiadores à Avenida Paulista no feriado.

Com 1,12 milhão de menções em apenas 24 horas, a crise no STF superou bem, nesse intervalo, casos recentes de enorme repercussão política, como a condenação de Jair Bolsonaro, que alcançou 756 mil menções, e o caso Dark Horse, com 911,9 mil. Também ultrapassou o movimento registrado em torno da chamada obstrução da Câmara pelo impeachment de Moraes, que somou 329,7 mil menções nas primeiras 24 horas.

É fato que o voto continua condicionado a fatores econômicos, sociais, regionais e políticos que não cabem em uma tela de celular. Também é precipitado transformar seguidores em votos, mas a experiência desta semana mostra, porém, que ignorar o ambiente digital é um erro. Cury demonstra como a atenção pode ser convertida em crescimento político. A crise no Supremo revela como um acontecimento pode ser amplificado até dominar a conversa pública.

A disputa presidencial entra em uma fase em que cada candidato terá de administrar dois desafios ao mesmo tempo: falar com o eleitor que já está nas redes e tentar alcançar aquele que começa a se cansar do barulho. Isso a apenas 30 dias de irmos às urnas.

 

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postado em 04/09/2026 05:00
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