ARTIGO

O futuro do Brasil

"Olhar para os erros do passado recente e acompanhar de perto cada passo do novo governo não é uma opção partidária, mas sim o único caminho viável para garantir o leite dentro da vasilha no futuro do Brasil"

O futuro do Brasil não precisa ser jogado a sorte -  (crédito: Maurenilson Freire/CB/D.A Press)
O futuro do Brasil não precisa ser jogado a sorte - (crédito: Maurenilson Freire/CB/D.A Press)

Faz exatamente uma semana que o país viveu as emoções do segundo turno das eleições 2026. São pouco mais de 170 horas desde a divulgação do resultado das urnas — já contabilizando as duas horas adicionais de votação —, e uma quantidade expressiva de acontecimentos marcou esse breve recorte de tempo. O ponto central é evidente: além do grande vencedor do pleito, os desdobramentos desta última semana definirão o futuro do Brasil, talvez até mais do que a própria apuração dos votos.

Não vale a pena me aprofundar em cada detalhe dessa última semana. O espaço por aqui é delimitado e, entre viagens internacionais aos Estados Unidos e cartas abertas publicadas nas redes sociais, sintetizar tudo o que ocorreu torna-se inviável. O fundamental é não deixar escapar os fatos decisivos que cercaram a votação e estes oito dias subsequentes.

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Esse não é um problema exclusivo do brasileiro, mas, sim, um traço da própria humanidade: esquecer o passado e, com isso, condenar o próprio futuro. Tudo o que passa carrega um valor histórico indiscutível. Nunca concordei com o ditado popular que orienta a "não chorar pelo leite derramado". Defendo o oposto: chore, sim. É exatamente essa mágoa que ajudará a manter as mãos mais firmes ao segurar a vasilha.

No espectro político nacional, tanto a esquerda quanto a direita precisam olhar para o horizonte carregando o aprendizado das urnas — e os leites derramados. O Brasil se aproxima de um quadriênio decisivo. Será o quarto mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em meio à maior expressão do bolsonarismo nas urnas até então — quando venceu a disputa presidencial em 2018, Jair Bolsonaro obteve 57.797.847 votos; agora, Flávio Bolsonaro elevou essa marca para 59.826.041 votos no último domingo de eleição.

Nessa sexta-feira, o colega Roberto Fonseca apresentou neste mesmo espaço um brilhante esboço sobre o futuro da esquerda e da direita, representadas por Lula e pelo bolsonarismo. Trata-se de um debate de extrema relevância para a conjuntura nacional, mas que ainda cabe evolução.

A verdadeira reflexão que o eleitor deve se fazer neste momento é: qual será o futuro do Brasil nos próximos anos? Governos passam, e grandes figuras políticas se vão — muitas vezes, de forma mais rápida do que supõe a nossa vã filosofia. No entanto, as decisões, reformas e medidas institucionais tomadas por esses nomes permanecem e moldam a vida do cidadão por décadas.

Comparecer a uma seção eleitoral, digitar os números na urna eletrônica e escolher as lideranças pode parecer um ato simples, mas é o fio da meada a partir do qual se desenha o destino do país. E que fique a certeza: a democracia não se encerra no bipe da urna eletrônica; ela se consolida no acompanhamento diário das propostas, na cobrança firme dos eleitos e na vigilância constante das instituições. Olhar para os erros do passado recente e acompanhar de perto cada passo do novo governo não é uma opção partidária, mas, sim, o único caminho viável para garantir o leite dentro da vasilha no futuro do Brasil.

 

 


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postado em 02/11/2026 05:01
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