CB.PODER

"Operação de guerra", diz Cappelli sobre enfrentamento do 8 de janeiro

Durante os 23 dias em que atuou como interventor federal na Segurança Pública do Distrito Federal, Cappelli afirmou que o trabalho que precisou assumir foi o de gestão de crise

"Tivemos a maior operação de polícia judiciária da história do Brasil, pois prender centenas de pessoas de uma vez não é padrão operacional das polícias", disse Cappelli - (crédito: Kayo Magalhães/CB/D.A Press)
postado em 08/01/2024 14:28 / atualizado em 08/01/2024 16:48

O secretário-executivo do Ministério da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Cappelli, descreveu a mobilização para conter os atos golpistas do dia 8 de janeiro de 2023 como uma "operação de guerra". Durante os 23 dias em que atuou como interventor federal na Segurança Pública do Distrito Federal, Cappelli afirmou que o trabalho que precisou assumir foi o de gestão de crise, para estabilizar o cenário institucional do país. Em entrevista aos jornalistas Ana Maria Campos e Roberto Fonseca no programa CB.Poder desta segunda-feira (8/1) — parceria entre o Correio Braziliense e a TV Brasília, o secretário-executivo pontuou que o Palácio da Justiça se tornou uma espécie de "Quartel General" (QG) do governo federal nas semanas que se sucederam aos ataques às sedes dos Três Poderes brasileiros. 

"Tivemos a maior operação de polícia judiciária da história do Brasil, pois prender centenas de pessoas de uma vez não é padrão operacional das polícias", disse Cappelli. Ele também ressaltou que vê vínculos do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) com os atos antidemocráticos do 8 de janeiro. O secretário avaliou a mobilização e permanência dos acampados no Quartel-General do Exército como algo sem precedentes na história do país e que isso só foi possível porque contou com a "simpatia e permissão" do ex-presidente.

"O presidente da República passou quatro anos atacando as instituições, o Supremo Tribunal Federal, os ministros da Suprema Corte. Passou quatro anos tentado atacar a credibilidade das urnas eletrônicas. Ele espalhou na sociedade brasileira um clima de instabilidade institucional. E, passado o resultado das eleições, ele permitiu que fossem montados os acampamentos. O dia 8 não começa no dia 8, ele é o ponto final de um processo de tentativa de desestabilização da democracia brasileira", destacou Cappelli.

Democracia saiu mais forte

"Sentimento é que democracia foi duramente testada, mas ela venceu e saiu mais forte", definiu Ricardo Cappelli. O secretário-executivo avaliou que, apesar dos atos golpistas gravíssimos, a democracia saiu fortalecida, porque as instituições brasileiras agiram adequadamente.

Cappelli também criticou a falha ou ausência de plano operacional da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) para conter a invasão e depredação dos patrimônios públicos. Ele comparou a situação vivenciada há um ano como um "avião em turbulência, lotado e caindo", mas que foi controlado e pousado em terra firme. "Meu papel como interventor era estabilizar, assumir o comando das Forças de Segurança, retomar a autoridade e devolver para o Distrito Federal", disse.

Assista a entrevista completa:

 

Gostou da matéria? Escolha como acompanhar as principais notícias do Correio:
Ícone do whatsapp
Ícone do telegram

Dê a sua opinião! O Correio tem um espaço na edição impressa para publicar a opinião dos leitores pelo e-mail sredat.df@dabr.com.br

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação
-->