
Para a Confederação Nacional da Indústria (CNI), o acordo União Europeia-Mercosul pode fazer com que o Brasil fortaleça relações com países do Leste Europeu, como República Tcheca, Polônia e Romênia. Essas nações representam, atualmente, uma parcela irrisória do comércio exterior brasileiro.
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Segmentos industriais e de tecnologia podem ser beneficiados com possíveis novas parcerias. "O acordo também prevê o reconhecimento recíproco de indicações geográficas, protegendo produtos regionais brasileiros com selo de origem e ampliando oportunidades para marcas nacionais no mercado europeu, como café e queijos", destaca a CNI, em nota.
Para o presidente da entidade, Ricardo Alban, a sinalização positiva do bloco europeu é fundamental para avançar nas próximas etapas do acordo, que envolve assinatura, internalização, ratificação e implementação dos termos. "A aprovação do acordo é um passo decisivo e cria as condições políticas necessárias para avançarmos rumo à assinatura", destacou. "Esperamos que esse processo seja concluído o quanto antes, para que possamos transformar esse avanço institucional em oportunidades concretas de comércio, investimentos e aumento da competitividade do país", acrescentou.
A CNI avaliou, ainda, que o acordo pode trazer impactos significativos sobre os investimentos bilaterais, além de gerar um ambiente mais favorável para a competitividade das empresas nacionais, com a redução de custos operacionais dentro das cadeias. "O acordo é um marco na estratégia de inserção internacional do Brasil com impacto no redesenho dos fluxos de comércio e investimentos mundiais", afirmou.
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Agronegócio
Setores do agronegócio também podem abrir espaço para maior número de exportações. O pacto deixa segmento em evidência. A carne bovina brasileira, por exemplo, é um dos principais destaques na União Europeia. Até novembro de 2025, as vendas ao bloco somaram US$ 820,15 milhões, alta de 83,2% em relação ao mesmo período de 2024, atrás apenas de China e Estados Unidos.
Também no ano passado, a União Europeia foi o sexto principal destino das exportações brasileiras de carne de frango, com embarques de US$ 457,99 milhões. Já o açúcar, considerado sensível para os produtores europeus, poderá ampliar sua participação gradualmente, com a redução de tarifas prevista no acordo, embora permaneçam salvaguardas para proteger o mercado interno do bloco.
Outro setor importante é o segmento da soja. A União Europeia ocupou a terceira posição entre os destinos do produto brasileiro em 2025, com exportações próximas de US$ 6 bilhões, ficando atrás apenas de Irã e Indonésia.
Segundo o Cecafé (Conselho dos Exportadores de Café do Brasil), a principal mudança ocorre para os cafés solúveis e industrializados, que hoje enfrentam taxação no bloco europeu. Com o tratado, esses produtos passarão por um processo de desgravação anual das tarifas, que devem chegar a zero em um prazo de quatro anos. A expectativa é de que a redução dos custos amplie a competitividade do Brasil na União Europeia e resulte no aumento dos embarques desses itens.
O conselho aponta que, além do efeito sobre o volume exportado e a receita, o acordo pode estimular novos investimentos no parque industrial brasileiro voltado à industrialização do café. Esse movimento tende a gerar empregos e renda nas regiões onde estão instaladas as fábricas, com reflexos positivos nos indicadores sociais das localidades ligadas à cadeia cafeeira.
Outro aspecto destacado pela entidade é o impacto do tratado na posição do Brasil em futuras negociações comerciais. Para o Cecafé, "o acordo entre União Europeia e Mercosul nos qualifica para novos acordos comerciais, inclusive bilaterais, haja vista o intenso trabalho que foi realizado pelos governos de Brasil e, do lado europeu, Alemanha e Espanha".
Nesse contexto, menciona que já acompanha diálogos com mercados como Canadá e países asiáticos, fora das negociações em bloco. A avaliação é que esses entendimentos podem ampliar a presença do café brasileiro em novos destinos. "Como representantes dos exportadores brasileiros, seguiremos atuando para fomentar o governo federal com as informações relevantes e necessárias para essas negociações, de forma que alcancemos novos acordos e possamos fortalecer, ainda mais, a posição do Brasil como principal player do mercado global de café", concluiu o Conselho.

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