
O ministro-chefe da Casa Civil, Rui Costa, confirmou que Miriam Belchior assumirá seu lugar à frente da pasta a partir de março, quando ele deixará o governo para concorrer a uma vaga no Senado pela Bahia nas eleições de outubro. O anúncio foi feito nesta quinta-feira (29/1) e consolida um movimento que já vinha sendo tratado como certo nos bastidores de Brasília.
Segundo Rui, a decisão atende a uma diretriz do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de preservar a continuidade das políticas públicas. “A prioridade do presidente é que [as indicações] sejam de quem já está na equipe, para não haver descontinuidade nas ações de governo”, afirmou o ministro. Miriam Belchior, que já integrou o núcleo estratégico da gestão, é considerada um dos quadros técnicos mais experientes e de maior confiança do Planalto.
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A troca na Casa Civil faz parte de uma reorganização mais ampla do governo federal. Como antecipado em agosto, mais da metade dos ministros e secretários de primeiro escalão deverá deixar os cargos até 31 de março, prazo legal para descompatibilização de quem pretende disputar as eleições deste ano. A necessidade de conciliar a agenda administrativa com o calendário eleitoral tem levado o Planalto a priorizar substituições internas.
Outras pastas também devem passar por mudanças semelhantes. Na Fazenda, o secretário-executivo Dario Durigan é o nome cotado para substituir Fernando Haddad. Já nas Relações Institucionais, a expectativa é que Gleisi Hoffmann dê lugar a Olavo Noleto, atual coordenador do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, o Conselhão.
Historicamente, anos eleitorais impõem desafios adicionais à composição ministerial. Muitos nomes com projeção política optam por disputar cargos eletivos, enquanto outros evitam assumir funções com horizonte curto, mesmo em cenários de continuidade presidencial. Nesse contexto, a aposta em quadros técnicos da própria estrutura do governo tem sido vista como a alternativa mais viável.
A saída de Rui Costa do Planalto marca mais um capítulo de sua trajetória política. Ex-governador da Bahia por dois mandatos, ele abriu mão de disputar o Senado em 2022 para costurar alianças locais e garantir a sucessão no estado. À época, apoiou a candidatura de Otto Alencar, do PSD, e impulsionou o então secretário de Educação, Jerônimo Rodrigues, ao governo baiano. Agora, com o tabuleiro rearranjado, Rui volta ao jogo eleitoral em busca de uma cadeira no Congresso.

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