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Caso Master: Congresso prepara ofensiva sobre escândalo do banco

No retorno aos trabalhos, a partir da semana que vem, Legislativo terá, entre os principais temas, o imbróglio da instituição financeira. Parlamentares querem convocar mulher de Moraes e até convidar Toffoli a prestar esclarecimentos. Há, também, requerimentos de instalação de CPIs

Parlamentares já se mobilizam para protocolar requerimentos em CPIs, em andamento na Casa, que miram envolvidos no caso -  (crédito: Carlos Moura/Agência Senado)
Parlamentares já se mobilizam para protocolar requerimentos em CPIs, em andamento na Casa, que miram envolvidos no caso - (crédito: Carlos Moura/Agência Senado)

Com a volta dos trabalhos legislativos, a partir de segunda-feira, o Congresso também vai se debruçar sobre o escândalo do Banco Master, que tem mobilizado Polícia Federal e Supremo Tribunal Federal (STF) na investigação sobre fraudes na instituição financeira liquidada, em novembro passado, pelo Banco Central.

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Uma das linhas de ação parte da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, que espera tomar o depoimento, na quinta-feira, do dono do Master, Daniel Vorcaro, além do presidente da autarquia, Gilberto Waller Júnior, e do empresário Maurício Camisotti, do grupo Total Health. O colegiado pretende esclarecimentos sobre os 250 mil contratos de empréstimos consignados que Master tinha em carteira e que foram suspensos pelo INSS por falta de comprovação de que foram autorizados pelos beneficiários.

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Ao Correio, o senador afirmou que a iniciativa tem caráter institucional e técnico. Segundo ele, a CPMI atua de forma objetiva, com foco nos prejuízos causados a aposentados e pensionistas, e busca esclarecer como as operações financeiras investigadas foram estruturadas, quais controles existiam e onde ocorreram falhas.

Moraes

Em outra frente, o senador Izalci Lucas (PL-DF) defendeu a convocação da advogada Viviane Barci de Moraes — casada com ministro Alexandre de Moraes, do STF, — pela CPI do Crime Organizado, no Senado. Segundo o parlamentar, é necessária uma "explicação clara e urgente" sobre o suposto contrato de R$ 129 milhões firmado entre o Master e o escritório de Viviane.

Izalci Lucas também pontuou que decisões recentes do STF, especialmente envolvendo Moraes e Toffoli, indicariam uma tentativa de blindagem. "Parece haver um esforço para impedir que a verdade venha à tona, especialmente quando o assunto é o Banco Master e suas conexões", frisou.

O parlamentar também defendeu que a discussão sobre o Banco Master seja centralizada em uma única comissão, pois o debate em vários locais pode dispersar e favorecer quem tenta ocultar informações. "Quando o debate é espalhado, autoridades usam uma comissão para se justificar na outra, e o foco se perde", argumentou.

Os senadores Eduardo Girão (Novo-CE) e Magno Malta (PL-ES) protocolaram, na quinta-feira, uma série de requerimentos no âmbito da CPI do Crime Organizado. Entre eles, está o pedido de quebra dos sigilos bancário e fiscal de Viviane.

A iniciativa de Girão também inclui pedido para que Toffoli seja convidado a comparecer à comissão. Já Magno Malta apresentou requerimento para a convocação de Mario Umberto Degani, primo de Toffoli e ex-sócio do Resort Tayayá, cujas relações com o Banco Master estão sob investigação.

Provocação política

Já o deputado Rogério Correia (PT-MG) criticou a tentativa da oposição de convocar familiares de magistrados ao Congresso, classificando a iniciativa como uma provocação política do bolsonarismo. Na avaliação dele, esse tipo de movimento busca enfraquecer o Judiciário.

"Eu não vi nenhum requerimento formal, mas isso é mais uma provocação do bolsonarismo, uma ideologia que tenta enfraquecer o Supremo com esse 'lero-lero' de sempre", afirmou ele ao Correio.

Parlamentares ainda defendem comissões parlamentares específicas para o Master. Na Câmara, há requerimento para a instalação do colegiado, protocolado pelo deputado Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), com 193 assinaturas. No Senado, Girão sustenta já ter a adesão necessária, de 27 signatários, para a instauração.

Há também requerimentos de CPMIs protocolados pelo deputado Carlos Jordy (PL-RJ) e pelas deputadas Fernanda Melchionna (PSol-RS) e Heloísa Helena (Rede-RJ). Já o senador Alessandro Vieira (MDB-SE) informou, em entrevista ao Correio, ter assinaturas suficientes para a instauração de uma comissão com a participação de deputados e senadores.

 

 

 

 

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postado em 31/01/2026 03:55
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