Congresso

Líder do PT detalha planos para manter veto de Lula ao PL da dosimetria

Lindbergh Farias (RJ) afirma que base tem tempo e votos para reverter placar e aposta em pressão política e mobilização social

O líder do PT na Câmara dos Deputados, Lindbergh Farias (RJ), afirmou em coletiva de imprensa nesta quarta-feira (7/1) que o Governo tem margem política e tempo suficiente para manter o veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao projeto de lei da dosimetria, que reduz penas de condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro. Para o parlamentar, a votação que aprovou a proposta no Congresso pode ser revertida com articulação direta junto aos parlamentares e mobilização social.

Segundo Lindbergh, o placar registrado na apreciação do texto de 291 votos favoráveis na Câmara e 48 no Senado, não representa um obstáculo intransponível. “Seriam necessários 34 votos para reverter o resultado. É uma tarefa totalmente possível, ainda mais com mais de um mês para trabalhar esse cenário”, afirmou durante coletiva de imprensa.

O deputado reiterou que, para o PT, o projeto equivale a uma anistia disfarçada e configura interferência direta nas decisões do Supremo Tribunal Federal. “Dosimetria, para nós, é anistia. É interferir numa decisão do STF, algo que consideramos completamente inconstitucional”, disse. Ele afirmou estar confiante de que Lula irá vetar o texto, possivelmente já nesta quinta-feira (8/1), e que a base conseguirá sustentar o veto no Congresso.

A estratégia, de acordo com o líder petista, inclui uma campanha de pressão pública. “Vamos trabalhar com o placar, com os nomes dos parlamentares. O ano já começa com clima eleitoral, e isso pesa. A proximidade das eleições de 2026 nos ajuda nesse trabalho, que será nome a nome”, declarou.

Lindbergh também avalia como possível que a apreciação do veto sequer avance no Congresso. “Vamos começar 2026 paralisando os trabalhos?”, questionou, ao comentar a possibilidade de o tema não ser pautado.

Durante a coletiva, o deputado classificou como previsível a ausência dos presidentes da Câmara e do Senado, Hugo Motta (Republicanos-PB) e Davi Alcolumbre (União-AP), no ato em memória dos ataques de 8 de janeiro, programado para esta quinta-feira. Segundo ele, ambos são candidatos à reeleição e evitam desgaste político.

Ainda assim, Lindbergh ponderou que a decisão de Lula sobre o momento do veto não depende da presença dos chefes do Legislativo no evento. “Se eles estivessem lá, o presidente poderia vetar em outro dia. Como não estarão, Lula pode decidir vetar amanhã ou depois”, afirmou.

O Palácio do Planalto, no entanto, ainda avalia o melhor momento para o anúncio. Apesar da ausência de Motta e Alcolumbre, representantes dos dois participarão do evento, organizado pela Secretaria-Geral da Presidência e pela Secretaria de Comunicação Social. 

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