O ministro aposentado do Supremo Tribunal Federal (STF) Celso de Mello enviou uma carta formal ao presidente da Corte, ministro Edson Fachin, manifestando sua adesão integral às atividades em memória dos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023. No documento, o magistrado classifica o episódio como um “assalto às instituições da República” e justifica sua ausência física no evento estritamente por razões de ordem médica.
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A carta é marcada por um tom de condenação institucional e política. Mello afirma que o episódio foi guiado por um “grupo criminoso” que estava instalado na Presidência da República e nos altos escalões das Forças Armadas.
“É preciso, sim, recordar sempre o assalto às instituições da República, porque o esquecimento é o primeiro aliado da barbárie. A memória democrática não é exercício retórico nem culto ao passado: é instrumento de defesa do futuro”, declarou Celso de Mello.
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Citando o filósofo Karl Popper, o ministro aposentado destaca que a tolerância ilimitada leva ao desaparecimento da própria tolerância. Ele defende que, para preservar a democracia, o Estado não pode viabilizar a aceitação de quem visa aniquilá-la.
“A invasão do edifício-sede do Supremo Tribunal Federal — assim como dos demais Poderes da República — não foi um episódio trivial, nem simples excesso episódico de inconformismo político. Tratou-se de ato consciente de negação da ordem constitucional, de tentativa deliberada de submeter a Constituição à força bruta, substituindo o império da lei pelo império da violência. Onde a turba pretende impor sua vontade pelo vandalismo, não há política, há regressão civilizatória”, exaltou.
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