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Para Haddad, fraude do Master pode ser 'histórica'

Ministro da Fazenda defende atuação do Banco Central na iquidação da instituição de Daniel Vorcaro e garante que o governo acompanha caso de perto

O caso do Banco Master, que levou à liquidação extrajudicial determinada pelo Banco Central, tem tudo para ser a maior fraude bancária da história do país. A avaliação é do ministro da Fazenda, Fernando Haddad.

"O caso inspira muito cuidado. Podemos estar diante da maior fraude bancária da história do país. Temos que tomar todas as cautelas devidas, com as formalidades, garantindo todo o espaço para a defesa se explicar. Mas, ao mesmo tempo, sendo bastante firmes em relação àquilo que tem que ser defendido, que é o interesse público", disse Haddad, ao chegar ao Ministério da Fazenda.

Ele assegurou que o governo acompanha de perto a atuação do BC e mantém contato permanente com a autoridade monetária sobre o desenrolar do caso Master.

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Por conta disso, o ministro confirmou que conversa diariamente com o presidente do BC, Gabriel Galípolo. Haddad fez questão de frisar que está "absolutamente seguro com o trabalho que o Galípolo e a equipe fizeram".

"Atuamos conjuntamente quando o assunto era da Fazenda. Tivemos conversas com o procurador-geral da República (Paulo Gonet), tivemos o melhor aconselhamento possível para chegar até aqui. Acredito, realmente, que o trabalho que foi feito pelo Banco Central — já disse isso no dia e estou repetindo hoje —, é muito robusto tecnicamente", destacou.

Ele lembrou a atuação conjunta do BC e do Minsitério da Fazenda na operação que identificou uma fraude contábil bilionária da Reag Investimentos, com participação do crime organizado para lavar dinheiro. Para Haddad, a condução do caso Master exige rigor técnico e transparência, uma vez que são gravíssimas as suspeitas contra o banco de Daniel Vorcaro. Isso, inclusive, pode ter impacto sobre o sistema financeiro nacional.

Notícias falsas

O ministro foi mais além: acusou a oposição no Congresso de financiar a disseminação de notícias falsas sobre impostos e o sistema Pix com recursos de origem ilegal. Segundo Haddad, "estão contratando com dinheiro sujo influenciadores para soltar esse tipo de fake news. Esse tipo de ação favorece o crime organizado e não traz qualquer benefício ao país".

Na semana passada, veio à tona que agências de publicidade estavam contratanto influenciadores das redes sociais para publicar vídeos suscitando desconfianças sobre a decisão do BC em liquidar extrajudicialmente o Master. Dois deles não aceitaram e denunciaram que havia desembolsos de até R$ 2 milhões para atacar a autoridade monetária. A defesa de Daniel Vorcaro negou qualquer relação com as agências e os influenciadores.

O ministro disse, ainda, que tratou do caso Master com o presidente do Tribunal de Contas da União, Vital do Rêgo, e afirmou que houve avanços na interlocução entre os órgãos de controle e o BC. De acordo com Haddad, a reunião entre Galípolo, Rêgo e o relator da apuração no TCU, Jhonatan de Jesus, sinalizou convergência no entendimento dos procedimentos da autoridade monetária para a liquidação do Master.

Recurso retirado

O BC retirou o recurso que havia apresentado contra a decisão do TCU sobre a liquidação do Banco Master questonando a determinação de inspeção em documentos do processo. Esse foi um dos resultados da reunião entre Galípolo, Rêgo e Jhonatan na segunda-feira.

Pelo entendimento firmado, a análise seguirá um novo formato, com a realização de diligências técnicas sobre os documentos da liquidação no lugar de uma inspeção formal. As análises terão caráter estritamente técnico e começaram ontem. A medida busca dar continuidade à apuração de forma coordenada, preservando as atribuições institucionais de cada órgão e evitando novos conflitos entre o BC e o TCU.

 

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