A reação do Congresso Nacional às decisões do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), no caso do Banco Master turbinou a proposta de abertura de três comissões parlamentares de inquérito (CPI) para tentar mapear o alcance das relações do banqueiro Daniel Vorcaro com personagens de proa dos Três Poderes. Uma é do Senado, outra é da Câmara e uma terceira é mista.
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O senador Eduardo Girão (Novo-CE) intensificou a articulação política para a abertura da CPI exclusiva do banco. Segundo o parlamentar, o requerimento ultrapassou o mínimo necessário de assinaturas — obteve 42 apoios, acima do um terço exigido para poder ser instalada na Casa.
O parlamentar é autor, também, de pedido de suspeição de Toffoli na Procuradoria-Geral da República (PGR), solicitando seu afastamento da relatoria do caso Master. Girão argumenta possível conflito de interesses, citando a proximidade do ministro com ex-dirigentes da instituição e negócios envolvendo parentes e fundos ligados ao banco.
Na Câmara, o deputado Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) busca assinaturas para uma CPI que investigue, especificamente, a relação entre o Master e o Banco Regional de Brasília, focando no risco ao patrimônio público e em possíveis falhas na fiscalização das transações entre as duas instituições. O Banco Central (BC) barrou, em março de 2025, a compra de fundos do Master pelo BRB, um negócio de R$ 12,2 bilhões. O colegiado seria instalado na Casa.
Ainda na Câmara, Carlos Jordy (PL-RJ) e Marcos Pollon (PL-RS) reuniram assinaturas suficientes para instalação de uma CPI que reúna deputados e senadores. Só que a concretização depende de sessão do Congresso. Das três, a protocolada por Girão é a que tem mais chances de ser levantada antes.
Porém, a CPMI do INSS — que investiga as fraudes nos benefícios de aposentados e pensionistas — também pretende investir nas apurações relacionadas ao Master, que apesar de ter sido liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central (BC) fazia parte do grupo de bancos listados como concedentes de empréstimos consignados. Por conta disso, o colegiado apresentou recurso ao ministro André Mendonça, do STF, para ter acesso aos sigilos bancário e fiscal de Daniel Vorcaro. Os dados estão sob custódia do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), por determinação de Toffoli, e são considerados peças-chave para esclarecer suspeitas de fraudes em operações de consignado e possíveis conexões políticas e empresariais.
Parlamentares da CPMI do INSS sustentam que as restrições impostas à Polícia Federal (PF) — como a decisão de que depoimentos sejam prestados no STF, e não na sede da PF — comprometem a profundidade das investigações. O movimento ganhou fôlego depois de o presidente do INSS, Gilberto Waller, informar que o órgão bloqueou a liberação de cerca de R$ 2 bilhões ao Master por causa de indícios de irregularidades.
No Senado, a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) criou um grupo de acompanhamento permanente do caso. A iniciativa partiu do presidente do colegiado, senador Renan Calheiros (MDB-AL), que convidou parlamentares da base governista e da oposição para monitorar os desdobramentos no STF, no BC e nos órgãos de controle. "Não podemos permitir que esse caso seja abafado", exortou Renan, ao defender atuação coordenada do Legislativo.
O líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), declarou apoio a todas as frentes de investigação. Em publicação nas redes sociais, classificou o escândalo do Master como "um dos maiores crimes contra o sistema financeiro nacional" e afirmou que dará respaldo às investigações do BC, do Ministério Público Federal, da PF, ao grupo de trabalho da CAE e a qualquer CPIs ou CPMIs que vierem a ser instaladas. Tudo deve ser investigado. Temos o dever de fiscalizar, cobrar explicações e proteger a economia do país", frisou.
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