O Banco Central abriu uma investigação interna sobre a condução do processo que resultou na liquidação extrajudicial do Banco Master. Sob a responsabilidade da corregedoria, a apuração busca identificar possíveis falhas nos mecanismos de fiscalização e na atuação da área técnica responsável por monitorar a saúde financeira da instituição.
De natureza sigilosa, a auditoria foi instaurada logo após a decretação da liquidação do Banco Master, no ano passado. A investigação busca esclarecer as razões da demora do BC em identificar a escalada das operações de maior risco realizadas pelo banco.
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A abertura da sindicância foi determinada pelo presidente do BC, Gabriel Galípolo, ainda em dezembro. Internamente, o entendimento é de que a liquidação extrajudicial de uma instituição financeira representa um evento de alta gravidade e, por isso, exige documentação detalhada e a revisão rigorosa de todos os procedimentos adotados.
Não há prazo definido para a conclusão da apuração da corregedoria, que atua com autonomia no caso. Além de esclarecer os fatos que levaram à crise do Master, o objetivo também é definir medidas para fortalecer os mecanismos de governança e fiscalização interna do BC.
Nos últimos meses, o Master tornou-se foco de questionamentos que envolveram o Banco Central, o Tribunal de Contas da União (TCU) e o Supremo Tribunal Federal (STF). A crise começou após suspeitas sobre operações financeiras da instituição, que levaram o BC a decretar sua liquidação extrajudicial, em novembro. A medida passou a ser contestada, ampliando o debate a respeito dos fundamentos e da condução do processo.
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O caso avançou quando o TCU determinou uma inspeção em documentos da liquidação. O Banco Central apresentou embargos, mas retirou o recurso em 12 de janeiro, após reunião entre os presidentes do TCU, Vital do Rêgo Filho, e do BC, Gabriel Galípolo, permitindo o prosseguimento da análise.
Nessa quinta-feira, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que Galípolo recebeu um "abacaxi" do antecessor no BC, Roberto Campos Neto, que, segundo ele, já teria informações sobre as fraudes no Master.
"Havia suspeitas graves de fraudes em carteiras, e quando você detecta uma fraude, que envolveu o Banco de Brasília, o BRB, aí não tem muito como manter no interior do Banco Central. O problema é que você não está falando de má gestão. Você está falando de crime", frisou a jornalistas ao chegar ao ministério. Ele acrescentou que não houve comunicação entre BC e Fazenda durante a presidência de Campos Neto.
Haddad também comentou que não teve contato com o dono do Master, Daniel Vorcaro. "Eu sequer conhecia a imagem dele", ressaltou. "Eu sabia do problema do banco, tinha uma disputa de narrativa acontecendo. Alguns diziam que era uma grande instituição financeira que estava surgindo e que isso estava incomodando a concorrência e tudo mais; e outros dizendo: 'olha, esse negócio não é sustentável, esse negócio vai estourar'."
Pagamentos
O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) já pagou R$ 32,5 bilhões aos investidores do conglomerado do Master, correspondendo a cerca de 80% do montante total previsto, segundo o balanço mais recente, dessa quinta-feira. Os recursos chegaram a 580 mil credores, cerca de 75% da base total de clientes.
O grupo abrange o Banco Master, o Banco Master de Investimento e o Letsbank, todos liquidados pelo Banco Central (BC) em novembro do ano passado. A maior parte dos recursos pagos corresponde a aplicações em Certificados de Depósito Bancário (CDBs).
De acordo com o FGC, aproximadamente 20 mil pedidos ainda estão em processamento, aguardando ação dos próprios credores. A expectativa é de que o percentual de compensações pagas avance rapidamente e chegue próximo de 90% até o final desta semana.
O fundo garante depósitos de até R$ 250 mil por conta ou R$ 1 milhão por CPF ou CNPJ. No caso do Will Bank, também integrante do conglomerado Master e liquidado em 21 de janeiro, o FGC estima que serão pagos cerca de R$ 6,3 bilhões em garantias. O início dos pagamentos depende da consolidação da base de credores, tarefa que está a cargo do liquidante com apoio do FGC.
O fundo ressalta que todos os recursos mantidos em contas de pagamento são segregados do patrimônio da instituição e serão restituídos conforme os critérios definidos pelo liquidante, sem previsão de liberação imediata. (Colaborou Raphael Pati)
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