
A coordenação da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à reeleição deverá ter como principais coordenadores ministros palacianos e o presidente nacional do PT, Edinho Silva. Participarão, ainda, os ministros Guilherme Boulos, da Secretaria-Geral da Presidência, e Sidônio Palmeira, da Secretaria de Comunicação Social (Secom).
A formação ainda não está oficialmente confirmada, à exceção de Boulos, que comentou o tema publicamente.
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Fontes do PT ouvidas sob reserva pelo Correio afirmam que a participação de Edinho ainda não foi discutida, e que o partido está se dedicando, no momento, à montagem de palanques estaduais. O interlocutor, porém explicou que o presidente da legenda, tradicionalmente, participa da coordenação de campanha.
Boulos, por sua vez, comentou sobre o tema hoje (23/2) durante a estreia do programa Alô Alô Brasil, da Rádio Nacional, com o apresentador José Luiz Datena, e confirmou que estará no grupo.
“Eu acredito na reeleição do Lula. Acredito que o Lula vai ser tetra. Vou trabalhar para isso, vou estar na coordenação de campanha do Lula, junto com o Edinho, com o Sidônio”, declarou o ministro. Questionado por Datena se deixará o cargo para participar da campanha, Boulos disse que sairá da pasta apenas se for necessário.
“Neste momento, eu vou estar atuando e trabalhando na campanha depois das 18h. Eu vou ter minha agenda como ministro. A princípio, não pretendo fazer isso (deixar o ministério), mas se a campanha exigir isso, se for missão…”, disse ainda.
Boulos foi nomeado ministro por sua proximidade com movimentos sociais, ampla presença nas redes e capacidade de mobilização. Ele organizou grandes protestos no ano passado, como a manifestação contra o Congresso Nacional após a derrubada do decreto que aumentou o IOF, em junho passado.
Sidônio, por sua vez, é publicitário e participou da campanha de Lula em 2022. Ele fez carreira atuando em campanhas políticas, principalmente para candidatos do PT. Com perfil técnico e discreto, resistiu em assumir o atual ministério, mas foi convencido por Lula. Pessoas com cargos públicos, inclusive servidores, não podem atuar em campanhas políticas dentro do horário do expediente.
A reportagem pediu à Secom um posicionamento sobre a participação do ministro Sidônio na campanha e se ele permanecerá ou não no cargo, mas não obteve resposta até a última atualização desta matéria.
Além do núcleo de coordenação formado por Boulos, Edinho e Sidônio, outros aliados do presidente devem assumir o papel de coordenadores regionais, como é o caso do ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias, cotado para coordenar a campanha no Nordeste.
O papel de Haddad
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, também deve ter participação forte na campanha presidencial, mas não como coordenador, como ele mesmo afirma. Em entrevista à GloboNews publicada em janeiro, Haddad deixou em aberto que pode participar da criação do programa de governo de Lula para o mandato 2027-2030.
Internamente, ele é cotado também como forte candidato a disputar o governo de São Paulo contra o atual mandatário, Tarcísio de Freitas, que diz buscar a reeleição. A candidatura de Haddad é demanda do presidente Lula, que tenta convencer o aliado a concorrer, apesar de o ministro da Fazenda negar querer disputar qualquer cargo em outubro.
A expectativa é que a participação de Haddad seja definida durante a viagem de Lula à Índia e à Coreia do Sul, que acaba hoje. O titular da Fazenda compõe a comitiva. Eles devem voltar a Brasília nesta quarta-feira (25).
No momento, o maior desafio para a campanha é a formação de palanques nos maiores colégios eleitorais. Em São Paulo, além de Haddad, Lula quer ter candidaturas competitivas ao Senado Federal, como a ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet.
Em Minas Gerais, o presidente tenta convencer o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) a concorrer ao governo mineiro. Ambos os estados são considerados essenciais para o resultado ao Planalto, e Lula precisa de palanques fortes.

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