Caso Master

CPMI do INSS adia votação da quebra de sigilo do Banco Master

Vice-presidente da comissão afirmou, porém, que as apurações vão avançar sobre descontos ilegais em aposentadorias e defendeu prorrogação dos trabalhos

A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) adiou nesta quinta-feira (5/2) a votação de requerimentos relacionados à quebra de sigilo do Banco Master, suspeita de fraudes bilionárias, envolvendo empréstimos consignados e outras operações financeiras. 

O depoimento do proprietário do Banco Master, Daniel Vorcaro, também estava previsto para hoje, mas a oitiva foi adiada para o dia 26 de fevereiro, após o carnaval, a pedido da defesa do empresário. 

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Pela manhã, o vice-presidente da comissão, deputado Duarte Júnior (PSB-MA), afirmou que a comissão continuará aprofundando as investigações sobre a atuação do banco. Em entrevista à Rádio Câmara, ele lembrou dos prejuízos causados a aposentados e pensionistas. “São mais de R$ 92 milhões descontados ilegalmente pelo Master. O banco utilizou dinheiro de aposentados e pensionistas para realizar investimentos sem qualquer autorização, colocando em risco os recursos de quem já vive em estado de vulnerabilidade,” disse.

Para o deputado, o adiamento não compromete o andamento dos trabalhos. “Não vejo nenhum prejuízo no adiamento, até porque é melhor ele vir e falar do que tentar impetrar um habeas corpus para impedi-lo de comparecer à comissão”, declarou o parlamentar.

O vice-presidente da CPMI também afirmou não haver conflito institucional caso o Congresso decida aprofundar as investigações sobre o Banco Master em outras comissões parlamentares, como defendem alguns parlamentares. Segundo ele, a atuação simultânea em diferentes frentes pode contribuir para o esclarecimento dos fatos.

Duarte Jr. destacou, contudo, que o escopo da CPMI do INSS é delimitado. De acordo com o deputado, a comissão pode investigar o Banco Master apenas no que diz respeito às fraudes envolvendo aposentadorias e benefícios previdenciários, como empréstimos consignados realizados sem autorização dos beneficiários.

O parlamentar defendeu a prorrogação dos trabalhos da CPMI por mais 60 dias. Segundo ele, o assunto é delicado e complexo e precisa de mais tempo de apuração. O prazo inicial para encerramento da comissão está previsto para 28 de março.

Por meio da rede social X (antigo Twitter), o presidente da CPMI do INSS, senador Carlos Viana (Podemos-MG), informou que na próxima semana foram convocados o deputado estadual do Estado do Maranhão Édson Araújo e Paulo Camisotti, filho e sócio de Maurício Camisotti, que é um dos investigados e que continua preso. Após a Polícia Federal ter deflagrado a “Operação Sem Desconto”, Camisotti tentou transferir R$ 59 milhões para criptomoedas.

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