
O Dia Internacional da Mulher, celebrado neste domingo (8/3), foi marcado por mobilizações em Brasília e em diversas cidades do país. No Distrito Federal, sindicatos, movimentos sociais e coletivos feministas se reuniram no Eixo Cultural Ibero-Americano (antiga Funarte) para denunciar o aumento da violência contra mulheres e defender políticas públicas de proteção. Entre as pautas do ato estão o combate ao feminicídio, o fim da escala de trabalho 6×1 e a ampliação da rede de atendimento às vítimas de violência.
Durante a manifestação, a presidenta da União Brasileira de Mulheres no Distrito Federal (UBM-DF), Maria das Neves, afirmou que o país vive uma situação de emergência diante do crescimento dos assassinatos de mulheres. “Estamos nas ruas para dizer que o Brasil vive uma calamidade pública. A cada 24 horas, quatro mulheres são assassinadas no país. O nosso grito é pela vida de meninas e mulheres”, declarou.
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Maria das Neves também criticou propostas legislativas que, segundo ela, enfraquecem a proteção de crianças e adolescentes e alertou para o alto índice de casamentos infantis no país. “O Brasil ocupa o quarto lugar no ranking mundial de casamento infantil. Precisamos defender as meninas e garantir que tenham seus direitos respeitados”, afirmou.
As manifestantes também cobraram mais investimentos em políticas públicas de enfrentamento à violência de gênero. Segundo a dirigente, a falta de recursos para a rede de proteção contribui para o agravamento do problema. “Quando o dinheiro das políticas públicas é desviado ou reduzido, quem paga o preço são as mulheres. Hoje o Distrito Federal tem apenas duas delegacias da mulher, o que é insuficiente para a realidade da população”, criticou.
Além das reivindicações nacionais, o ato também teve críticas à gestão local. Os manifestantes entoaram palavras de ordem contra o governador do DF, Ibaneis Rocha, e a vice-governadora Celina Leão. Maria das Neves afirmou que o debate sobre o futuro político da capital deve priorizar propostas. “Mais importante do que discutir nomes é discutir projetos para o Distrito Federal. Precisamos de políticas comprometidas com a classe trabalhadora e com a vida das mulheres”, disse.
Entre as propostas defendidas pelo movimento estão a ampliação de delegacias especializadas em funcionamento 24 horas, investimentos em creches públicas e o fortalecimento da rede de atendimento às vítimas de violência doméstica. “Não basta ser mulher para representar os interesses das mulheres. É preciso compromisso real com políticas que garantam proteção, dignidade e direitos”, concluiu.

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