
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) permanecerá internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital DF Star, em Brasília, sem previsão de alta. A informação foi confirmada pela equipe médica, em coletiva de imprensa realizada na noite desta sexta-feira (13/3), após diagnóstico de broncopneumonia bacteriana bilateral.
Bolsonaro foi levado a unidade de saúde na manhã desta sexta-feira após apresentar mal-estar e dificuldade para respirar. Segundo os médicos, exames identificaram comprometimento significativo dos pulmões, com evolução rápida da infecção.
O tratamento atual inclui antibióticos por um período estimado entre sete e 14 dias, além de fisioterapia respiratória. A evolução dependerá da resposta do organismo e do controle da infecção. “Em pacientes mais idosos, a resposta do organismo tende a ser mais lenta. Por isso, vamos avaliar dia a dia”, explicou Echenique.
Quadro de saúde
O médico cardiologista Brasil Caiado afirmou que a velocidade do avanço do quadro deixou a equipe em alerta. "O que nos chamou muito a atenção foi a rapidez com que a infecção se instalou. O quadro começou por volta das duas da manhã e, às oito, a tomografia já mostrava um grau acentuado de comprometimento pulmonar", explicou.
De acordo com os médicos Cláudio Birolini, Brasil Caiado e Leandro Echenique, o ex-presidente chegou ao hospital com saturação de oxigênio em cerca de 80% e forte falta de ar. Após tratamento inicial, incluindo medicações e inalações, a saturação subiu para cerca de 92%, e o desconforto respiratório foi amenizado.
Apesar da melhora inicial, a equipe afirma que a situação ainda é considerada grave. "Ele está consciente, está conseguindo falar melhor e está mais estável do que quando chegou. Mas ainda estamos longe de considerar o quadro totalmente controlado", disse Echenique.
Os médicos ainda destacaram que Bolsonaro não precisou ser submetido à intubação, mas caso o tratamento não fosse feito de imediato, havia risco de evolução para uma infecção generalizada, condição conhecida como choque séptico.
O médico Cláudio Birolini explicou que a pneumonia está associada a episódios recorrentos de refluxo gastroesofágico e broncoaspiração — quando o conteúdo do estômago é aspirado para os pulmões. Segundo o especialista, o ex-presidente apresenta alterações anatômicas no abdômen decorrente das cirurgias anteriores. "Essa pneumonia atual é aspirativa, causada por refluxo. Mesmo com medidas preventivas, o risco permanece."
Os médicas afirmam que Bolsonaro também apresenta crises de soluço, que podem desencadear vômitos e aumentar o risco de aspiração. Em alguns casos, esses episódios ocorrem durante o sono.
Além disso, a equipe informou que o ex-presidente tem apresentado aumento de intercorrências de saúde nos últimos meses, influenciado — segundo eles — pelo ambiente em que se encontra e pela alimentação do local que não é considerada adequeada. Desde abril do ano passado, esta é a sexta internação dele no hospital.

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