Parlamento

Deputado do PT acusa "blindagem" à Lagoinha na CPMI do INSS e critica comando da comissão

Rogério Correia (PT-MG) afirma que pedidos de quebra de sigilo e convocações foram barrados desde novembro e aponta possível lavagem de dinheiro envolvendo igrejas

Correia pediu apuração direta sobre a Igreja Batista da Lagoinha -  (crédito: Divulgação/Redes Sociais)
Correia pediu apuração direta sobre a Igreja Batista da Lagoinha - (crédito: Divulgação/Redes Sociais)

Em declaração dada ao Correio nesta sexta-feira (20/3), o deputado Rogério Correia (PT-MG) acusou a cúpula da CPMI do INSS de impedir o avanço de investigações envolvendo a Igreja Batista da Lagoinha e entidades associadas. Segundo ele, requerimentos apresentados desde novembro não foram sequer levados à votação.

“O presidente e o relator não colocaram em votação. Se colocassem, seria aprovado”, afirmou o parlamentar, ao sustentar que houve uma estratégia deliberada para evitar a apuração de suspeitas.

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Entre os pedidos detalhados por Correia, estão quebra de sigilo e convocação de pessoas ligadas ao núcleo financeiro investigado, quebra de sigilo do pastor André Valadão, investigação da fintech Clava Forte Bank e apuração direta sobre a Igreja Batista da Lagoinha.

Segundo o petista, parte desses requerimentos só foi aprovada na fase final da comissão, o que inviabilizaria resultados práticos. “A convocação e a quebra de sigilo só foram aprovadas agora no final e não vai dar tempo”, disse Correia que também direcionou críticas ao presidente da CPMI, o senador Carlos Viana (Podemos-MG), a quem atribuiu uma “blindagem” para impedir a investigação da igreja.

“Foi evidentemente uma manobra para não deixar investigar a Igreja Lagoinha”, afirmou o parlamentar que também mencionou a ligação de figuras políticas e religiosas com a instituição, incluindo o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), além de líderes religiosos e empresários. Segundo ele, essas conexões reforçariam a necessidade de aprofundamento das apurações.

Foi também por meio de uma representação do petista juntamente com o deputado Pastor Henrique Vieira (PSol-RJ) que, ontem (19), o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que tanto Viana quanto a mesa-diretora do Senado Federal explicassem sobre a destinação de R$ 3,6 milhões em emendas parlamentares transferidas à Fundação Oasis, entidade ligada à Igreja Batista da Lagoinha.

Valores

Na ação movida pelos parlamentares, os valores foram distribuídos por três etapas diferentes. A primeira com a destinação de R$ 1,5 milhão em 2019, por meio de transferência à Prefeitura de Belo Horizonte com destinação à fundação, seguido do repasse de R$ 1,47 milhão em 2023, diretamente para a unidade de Capim Branco, na região metropolitana da capital mineira e, por último, R$ 650,9 mil em 2025, em um novo repasse para o mesmo lugar.

STF

Nessa quinta-feira, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que Carlos Viana juntamente com o Senado Federal esclarecessem sobre a destinação dos valores estabelecendo o prazo de cinco dias úteis para as respostas.

Ainda ontem, durante a coletiva de imprensa, Viana também comentou questionamentos feitos pelo ministro e afirmou que não existem irregularidades em sua atuação e disse ver a situação com tranquilidade. “Sou uma pessoa pública. Todas as minhas ações são passíveis de questionamento e eu tenho a obrigação de responder”, declarou.

Ele explicou que os recursos foram destinados a prefeituras, que posteriormente executaram projetos sociais, incluindo parcerias com instituições religiosas e assistenciais. “A igreja não recebeu um tostão diretamente”, afirmou.

O parlamentar também relacionou as críticas a uma possível retaliação política. “Tentaram primeiro colocar um presidente alinhado à investigação e não conseguiram. Agora tentam desqualificar os investigadores”, disse.

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Por Wal Lima
postado em 20/03/2026 16:09
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