FUNCIONALISMO PÚBLICO

STF unifica teto salarial e limita penduricalhos no Judiciário e no MP

Corte define regras para pagamentos extras, fixa limite e reforça controle sobre salários no serviço público

A Corte aprovou uma tese que reforça o teto constitucional de R$ 46.366,19 -  (crédito: Agência Brasil)
A Corte aprovou uma tese que reforça o teto constitucional de R$ 46.366,19 - (crédito: Agência Brasil)

O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, nesta quarta-feira (25/3), estabelecer novas regras para os salários de juízes e membros do Ministério Público em todo o país. A Corte aprovou uma tese que reforça o teto constitucional de R$ 46.366,19 e proíbe a criação de novos benefícios sem previsão em lei federal.

A decisão atinge os chamados penduricalhos — pagamentos extras que, na prática, vinham elevando os salários acima do limite permitido. A partir de agora, esses valores só poderão ser pagos quando tiverem caráter indenizatório real, ou seja, quando servirem para compensar despesas ou situações específicas de trabalho.

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O STF também definiu que esses adicionais podem existir, mas com limite. Os pagamentos extras ficam restritos a até 35% do teto constitucional, o que busca evitar excessos e padronizar as regras em todo o país.

Na prática, a decisão permite o pagamento de verbas como diárias, indenizações por acúmulo de função e adicional por tempo de serviço. Por outro lado, benefícios criados sem previsão legal, como auxílios diversos, ficam proibidos.

A Corte também determinou que as regras deverão ser padronizadas e acompanhadas por órgãos de controle, o que inclui maior transparência na divulgação dos salários. A regulamentação definitiva, no entanto, ainda depende de uma lei federal que deverá ser aprovada pelo Congresso Nacional.

Para o diretor-presidente do Centro de Liderança Pública (CLP), Tadeu Barros, a decisão representa um avanço, mas ainda exige mudanças mais amplas. “O teto existe para garantir equilíbrio, isonomia e responsabilidade no uso dos recursos públicos. Quando se abre exceção, o que se cria não é um direito, mas uma distorção. Isso vale para qualquer tipo de penduricalho”, disse.

Ele ressaltou ainda que em um país com tantas desigualdades, não há justificativa para manter privilégios que fragilizam a credibilidade das instituições e pressionam as contas públicas.

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postado em 25/03/2026 19:32 / atualizado em 25/03/2026 19:34
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