
O relator da CPMI do INSS, deputado Alfredo Gaspar (União Brasil-AL), solicitou, em seu parecer final, a prisão preventiva do empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho do presidente da República. O relatório ainda precisa ser votado pela comissão, com previsão de análise na tarde desta sexta-feira (27/3).
No documento, o parlamentar menciona a suposta proximidade de Lulinha com empresários investigados no esquema e cita indícios relacionados a benefícios indevidos, embora a comissão não tenha conseguido avançar na apuração de possíveis “mesadas” ou custeio de viagens atribuídas ao empresário Antônio Camilo Antunes, conhecido como “careca do INSS”.
A justificativa para o pedido de prisão preventiva se baseia, segundo o relator, na saída de Lulinha do Brasil para a Espanha. Gaspar argumenta que o deslocamento, ocorrido durante o avanço das investigações, pode comprometer a aplicação da lei penal e dificultar eventual responsabilização.
No parecer, o deputado afirma que há “fundado receio” de que o empresário tente se esquivar da Justiça, citando a coincidência entre a viagem ao exterior e a deflagração de operações policiais no âmbito das investigações. O relatório menciona, ainda, a Operação Sem Desconto, conduzida pela Polícia Federal.
A defesa de Lulinha nega qualquer irregularidade. O empresário não é formalmente investigado pela Polícia Federal, embora tenha sido citado ao longo das apurações. O nome dele apareceu, por exemplo, em ações de busca e apreensão relacionadas à empresária Roberta Luchsinger.
Além do pedido de prisão, o relator solicitou o indiciamento de Lulinha e de outras 217 pessoas por crimes como tráfico de influência, lavagem de dinheiro, organização criminosa e participação em corrupção passiva. O relatório, com mais de 4 mil páginas, também recomenda o aprofundamento de investigações pela PF e deve enfrentar divergências no colegiado, que discute ainda a apresentação de um parecer alternativo por parlamentares governistas.

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