
Durante o evento de lançamento como pré-candidato do PSD ao Palácio do Planalto, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, centrou seu discurso na crítica à “polarização” política e apresentou como principal proposta para enfrentá-la a concessão de uma anistia “ampla, geral e irrestrita” aos envolvidos nos atos antidemocráticos de 8 de janeiro, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Sem citar diretamente o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, seu adversário na disputa interna do partido, Caiado rebateu a leitura do gaúcho de que a polarização seria um traço estrutural da política brasileira. Para ele, o ambiente de confronto é resultado de interesses específicos.
“O Brasil não suporta mais viver uma situação que tem sido constante nos últimos anos. Posso afirmar que a polarização não é um traço da política nacional”, afirmou. Em seguida, sustentou que o cenário pode ser revertido por uma liderança que não esteja inserida nesse embate. “Pode ser desativada, sim. E é isso que pretendo fazer ao chegar à Presidência.”
Como símbolo dessa tentativa de “pacificação”, o governador goiano declarou que a anistia seria seu primeiro ato de governo, caso eleito, medida que, no entanto, dependeria do aval do Congresso Nacional. “Meu objetivo é pacificar o Brasil ao anistiar todos, inclusive o ex-presidente, dando mostras de que vou cuidar das pessoas”, disse.
A proposta insere Caiado em um campo político que busca dialogar com eleitores ligados ao bolsonarismo, ao mesmo tempo em que tenta se apresentar como alternativa ao atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Durante o discurso, o goiano também fez críticas indiretas ao governo federal e acenou ao agronegócio e a setores que defendem maior rigor no combate ao crime organizado, uma pauta característica da sua gestão no estado.
Ao rejeitar a imagem de radical, Caiado ressaltou sua trajetória política e administrativa, destacando a aprovação de sua gestão em Goiás. “Ninguém atinge esse nível de aprovação sendo radical”, afirmou, ao defender um perfil técnico e voltado à gestão.
A escolha de Ronaldo Caiado foi consolidada após a desistência de Ratinho Júnior e com o aval do presidente nacional do partido, Gilberto Kassab. Para disputar a eleição, deve renunciar ao segundo mandato como governador até o dia 4 de abril, de modo a cumprir as exigências da Justiça Eleitoral.
Além de governador, Caiado foi deputado federal, por cinco mandatos, uma vez senador e concorreu, pela primeira vez, a presidente em 1989.

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