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Prisão de vereador carioca acirra briga entre Castro e Paes

Salvino Oliveira é acusado de ter ligação com o Comando Vermelho. Ele foi secretário da Juventude na capital fluminense. Governador parte para o ataque, mas prefeito rebate

A Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro prendeu, ontem, o vereador Salvino Oliveira (PSD), no âmbito da operação Contenção Red Legacy, que investiga as ações do Comando Vermelho (CV). Segundo as investigações, ele negociou diretamente com o traficante Edgar Alves de Andrade, conhecido como "Doca", autorização para realizar campanha eleitoral na comunidade da Gardênia Azul, que fica na Zona Oeste, área que está sob o domínio da facção.

A prisão acirrou a briga entre o prefeito Eduardo Paes (PSD) — que postula disputar o Palácio Guanabara, em outubro, com o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva — e o governador do Rio, Cláudio Castro (PL), que pretende concorrer ao Senado e compor a chapa majoritária no bolsonarismo no estado. Eles trocaram acusações nas redes sociais.

De acordo com a Polícia Civil, o vereador se comprometeu a beneficiar a facção criminosa em troca do livre acesso à comunidade para que pudesse buscasse votos. Entre as promessas, estaria a instalação de quiosques. A operação prendeu ainda seis policiais militares, acusados de envolvimento com o CV.

Em 2021, Salvino foi convidado pelo prefeito Eduardo Paes para assumir a Secretaria Especial da Juventude Carioca, que acabava de ser criada. Em 2024, ele concorreu às eleições e foi eleito vereador com 27 mil votos pelo mesmo partido de Paes.

Castro comemorou a prisão do vereador com várias postagens em sua conta no X (antigo Twitter). Ao todo, publicou três mensagens. "Da milícia ao Comando Vermelho, essas organizações criminosas vêm se infiltrando na Prefeitura do Rio de Janeiro há décadas! É só ver o domínio territorial que alcançaram ao longo dos anos. É o que sempre digo: não adianta, a verdade sempre prevalece!"

Em seguida, publicou que o vereador já tinha sido acusado de ter agredido um policial militar durante outra operação. "Esse tal de Salvino também atacou brutalmente a Polícia Militar durante uma operação na Cidade de Deus". Em seguida, postou o vídeo com a prisão do vereador, ressaltando sua ligação com Paes. "Você lembra do vereador Salvino Oliveira, que foi secretário municipal de Juventude? Foi preso hoje após as investigações apontarem ligações com a facção criminosa".

Grupos políticos

Paes, por sua vez, contra-atacou o governador, publicando um vídeo de seis minutos, no qual ressaltou que existe uma grande diferença entre os dois grupos políticos — o do prefeito e o do governador. "Quero primeiro deixar claro: eu e o governador Cláudio Castro somos muito diferentes. Não sou conivente com nenhum tipo de ilegalidade. Quero dizer aqui que, se ficar comprovado qualquer envolvimento do vereador ou de quem quer que seja, vou ser o primeiro a cobrar punição e exigir que a justiça seja feita. Aqui não se passa a mão na cabeça de quem faz coisa errada", garantiu, acusando as forças policiais do Estado de estarem sendo usadas politicamente por Castro.

Ainda no contra-ataque, Paes citou a prisão do ex-secretário estadual de Esportes Alessandro Pitombeira Carracena, preso segunda-feira pela Polícia Federal (PF), acusado de favorecer o tráfico internacional de drogas ao vender influência dentro da administração pública. O prefeito afirmou que outros aliados do governador vêm sendo presos em operações policiais nos últimos meses.

"Desde o início do governo Cláudio Castro, vários de seus aliados foram presos por envolvimento com crime organizado. Já teve secretário negociando com traficante em presídio federal, já teve secretário entregando operação contra o crime, já teve secretário preso por conexões com bicheiros", acusou.

Paes arrematou ao citar o investimento de mais de R$ 1 bilhão do Rioprevidência, fundo de previdência dos funcionários do estado, no Banco Master, liquidado e investigado por ter praticado possivelmente a maior fraude bancária do país.

O governador pode ficar inelegível por conta de abuso de poder político e econômico na eleição de 2022. Ele está sendo julgado pelo Tribunal Superior Eleitoral e está perdendo por 2 x 0.

 

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