A escolha do novo ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) abriu uma rodada intensa de negociações políticas na Câmara dos Deputados. O presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), tem atuado para construir um acordo que preserve a unidade do grupo que o elegeu para o comando da Câmara e garanta apoio suficiente à candidatura do deputado Odair Cunha (PT-MG).
A vaga foi aberta após a aposentadoria do ministro Aroldo Cedraz e se transformou em um ponto sensível dentro da base política de Motta. A preocupação de aliados do presidente da Câmara é evitar que a disputa interna provoque atritos entre partidos que hoje sustentam sua liderança.
Nos bastidores, integrantes do entorno de Motta avaliam que, mais do que assegurar a eleição de Odair Cunha, é necessário construir um arranjo político que mantenha alinhados partidos como PSD e União Brasil. As duas siglas afirmam não ter participado do entendimento inicial sobre a vaga no TCU, fechado antes de declararem apoio à candidatura de Motta à presidência da Câmara.
Apesar disso, interlocutores do presidente da Casa tentam aproximar os partidos da candidatura petista para evitar fissuras na base, conforme apurado pela reportagem.
Em busca de apoio, Motta conversou nos últimos dias com o líder do PSD na Câmara, Antonio Brito (BA). Já Odair Cunha procurou o deputado Elmar Nascimento (União-BA), que também se movimenta para disputar o posto. Até o momento, porém, nenhuma das duas legendas formalizou publicamente apoio ao parlamentar do PT.
“Eu estou conversando, tentando entender de todos que estão aspirando à vaga quem tem o apoio de quem. Para você disputar não é só registrar, tem que ter uma indicação de partido”, afirmou Motta.
O presidente da Câmara também relativizou o clima de disputa e disse que a existência de mais de uma candidatura não significa ruptura entre os partidos que compõem seu bloco político. “Isso não quer dizer que o bloco que me elegeu está fragmentando. É histórico, todas as eleições tiveram várias candidaturas”, acrescentou.
Movimentos nos partidos
Entre os partidos, o cenário ainda é indefinido. No PSD, a bancada declarou apoio ao deputado Hugo Leal (PSD-RJ) e chegou a distribuir material de campanha em favor do parlamentar.
No União Brasil, por outro lado, a posição oficial ainda não foi formalizada. O partido chegou a agendar uma reunião para tratar da escolha do candidato, mas o encontro acabou cancelado. Nos bastidores, parlamentares interpretaram o adiamento como sinal da influência de Motta junto à direção da sigla.
O partido tem como pré-candidato o deputado Elmar Nascimento, e o líder da bancada, Pedro Lucas Fernandes (MA), já declarou apoio ao colega. Mesmo assim, aliados de Motta avaliam que ainda há espaço para negociação.
Eleição ainda sem data
A cadeira no TCU está vaga desde o fim de fevereiro, mas a eleição para escolher o novo ministro ainda não tem data definida. Parte dos parlamentares defende que a votação ocorra na próxima semana, quando haverá sessões presenciais na Câmara.
Motta, no entanto, afirmou que a definição do calendário depende de um ambiente político mais claro entre os candidatos e os partidos. “Eu estou entendendo esse cenário para que a eleição possa ser marcada. Não tem uma obrigação regimental que eu tenha que fazer, mesmo o cargo estando vago. Até porque não tem prejuízo no tribunal porque existem os juízes substitutos”, explicou.
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