
O deputado federal Danilo Forte (CE) anunciou, nesta quinta-feira (5/3), sua desfiliação do União Brasil após um impasse interno envolvendo a indicação do partido para a vaga aberta no Tribunal de Contas da União (TCU). A declaração foi feita durante coletiva de imprensa no Salão Verde da Câmara dos Deputados.
Segundo o parlamentar, a decisão ocorreu após sucessivos adiamentos da definição da legenda sobre qual nome apoiaria para disputar a cadeira na Corte, aberta com a aposentadoria do ex-ministro Aroldo Cedraz. Forte afirmou que vinha apresentando seu nome desde o ano passado e que esperava uma posição formal da bancada ainda em 2025.
Siga o canal do Correio no WhatsApp e receba as principais notícias do dia no seu celular
“Se o partido fez um cronograma e eu tive paciência de esperar todo esse tempo, não cabe a mim continuar nesse jogo de enrolação. Eu não sou desse perfil. Sou do perfil da clareza e da transparência”, afirmou o deputado ao anunciar que encaminharia imediatamente o pedido de desligamento à direção partidária.
De acordo com Forte, o acordo interno previa que a bancada do União Brasil decidiria entre sua candidatura e a do deputado Elmar Nascimento (União-BA), ex-líder da legenda na Câmara. O parlamentar relatou que havia sido proposta uma solução em que um dos dois retiraria o nome caso o outro comprovasse apoio de partidos de oposição. Segundo ele, o compromisso não foi cumprido e a decisão acabou sendo transferida para a presidência da legenda, comandada por Antonio Rueda.
“O que percebemos foi um jogo de postergação. Primeiro era no final do ano passado, depois em fevereiro, depois no dia 24 e agora novamente sem definição. Isso acabou gerando um constrangimento pessoal e político”, declarou.
Durante a coletiva, o deputado vinculou sua candidatura ao TCU a uma agenda de fortalecimento do Poder Legislativo, especialmente na área orçamentária. Forte lembrou sua atuação como relator da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) em diferentes anos e disse ter defendido medidas para ampliar a autonomia do Congresso frente ao Poder Executivo. Segundo ele, uma das iniciativas foi a criação de um cronograma de execução das emendas parlamentares, mecanismo que estabelece prazos para o pagamento dos recursos destinados por deputados e senadores.
“O Parlamento precisa ter autonomia para exercer seu papel constitucional. Nós conquistamos instrumentos importantes, como as emendas impositivas e um cronograma de execução que dá previsibilidade aos gestores e fortalece o controle do orçamento”, disse.
O deputado afirmou ainda que defende maior fiscalização sobre a aplicação de recursos públicos e destacou que o TCU tem papel essencial nesse processo. “Onde tem dinheiro público tem que ter transparência. O Tribunal de Contas é um órgão acessório do Parlamento exatamente para garantir essa fiscalização”, argumentou.
Críticas
Na avaliação de Forte, a indefinição do União Brasil pode favorecer a construção de uma candidatura alinhada ao Governo Federal para a vaga no TCU, o que, segundo ele, enfraqueceria o papel fiscalizador do Congresso. “Você entregar ao Tribunal de Contas uma candidatura que vá para lá para defender interesses do Executivo vai trabalhar contra o Parlamento”, afirmou.
O deputado também disse que tentou garantir uma escolha interna da bancada, por meio de votação entre os parlamentares, mas que a reunião destinada a esse fim foi suspensa. “Eu tentei dar condição para que a bancada escolhesse democraticamente, como acontece nas decisões partidárias. Infelizmente essa decisão foi retirada da bancada e levada para a direção nacional”, declarou.
Futuro partidário indefinido
Apesar de anunciar a saída do União Brasil, Forte afirmou que ainda não definiu para qual legenda pretende migrar. Segundo ele, já recebeu convites de diferentes partidos, mas a decisão dependerá também de fatores regionais no Ceará. “Já fui convidado por alguns partidos, mas ainda não tomei uma decisão. É preciso avaliar o cenário estadual e manter coerência entre o papel que desempenhamos no estado e em Brasília”, disse.
O parlamentar ressaltou que continuará buscando apoio entre deputados para disputar a vaga no TCU. A eleição para a Corte é realizada por voto secreto no plenário da Câmara. “Vou dialogar com todos os deputados. Essa não é uma disputa ideológica. É uma discussão sobre a defesa do Parlamento e da autonomia do Legislativo”, afirmou o parlamentar que passou por quatro mandatos na Câmara e também destacou a sua trajetória no serviço público e afirmou que seguirá atuando para fortalecer o controle das contas públicas e a execução transparente do orçamento federal.

Política
Política
Política
Política