
Na política, o discurso moral é muitas vezes falso, embora essa falsidade só seja descoberta tardiamente. Na história do Brasil há riqueza de exemplos. Para os da minha geração, o melhor exemplo foi Jânio Quadros, um político aventureiro que venceu as eleições de 1960 usando como símbolo uma vassoura, que varreria toda a corrupção que havia no país. Governou apenas seis meses e, no fim da vida, foi amplamente reconhecido como um político, não apenas venal, mas obcecado por dinheiro. Suas contas clandestinas na Inglaterra foram fonte de rumorosos conflitos entre seus herdeiros. Se não tivesse vencido aquela eleição, a história do horror que se seguiu, nos anos 1960 e 1970, talvez não tivesse ocorrido.
Já em tempo mais recente, tivemos Fernando Collor, o caçador de marajás. Venceu os maiores líderes do país, fundadores da redemocratização, com promessas de uma revolução moral, e acabou sendo erto Brant afastado por corrupção. Retornando à vida pública, voltou a delinquir, foi condenado pela Justiça e cumpre prisão domiciliar por razões humanitárias.
Enquanto esteve na oposição, o PT foi implacável e mesmo injusto nas denúncias de ordem moral contra os seus adversários, tendo colocado a luta contra a corrupção acima de outras bandeiras. É fato que, nos seus primórdios, o partido tinha mesmo uma certa inocência. Mas tendo assumido o Poder, viu-se em meio a sucessivos escândalos, e até hoje vive na defensiva. Não seria justo acusar o partido em sua totalidade, mas, diante das realidades do Poder, foi, pelo menos, mais complacente do que prometia ser.
Tudo isso justifica uma certa reserva quando se trata de trazer a questão moral para o centro do debate político. As questões centrais sempre deverão ser as que dizem respeito ao crescimento econômico, à prosperidade da população, à segurança das pessoas e à soberania e independência do país. Mas há certos momentos em que precisamos abordar a questão da moralidade e da decência dos políticos e das autoridades públicas.
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