ESCALA 6x1

Jornadas mais longas estão associadas a menores salários, mostra Ipea

Levantamento indica que trabalhadores da escala 6×1 podem receber até 58% menos do que aqueles com 40 horas semanais

O IPEA aponta no estudo que jornadas de trabalho mais extensas estão relacionadas à redução salarial e ao aprofundamento das desigualdades no mercado de trabalho. -  (crédito: Tânia Rêgo / Agência Brasil)
O IPEA aponta no estudo que jornadas de trabalho mais extensas estão relacionadas à redução salarial e ao aprofundamento das desigualdades no mercado de trabalho. - (crédito: Tânia Rêgo / Agência Brasil)

Um estudo divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), nesta quarta-feira (22/4), aponta que jornadas de trabalho mais extensas estão relacionadas à redução salarial e ao aprofundamento das desigualdades no mercado de trabalho. De acordo com o levantamento, profissionais que cumprem 44 horas semanais, no modelo 6×1, chegam a receber até 58% menos do que aqueles com carga horária de 40 horas.

A pesquisa mostra que esse padrão é predominante nos setores de comércio e serviços, onde se concentra maior número de trabalhadores com baixa renda e menor nível de escolaridade. Nesses segmentos, a diferença salarial se torna mais evidente.

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Segundo os dados, empregados com jornada de 40 horas semanais têm rendimento médio de R$ 6,2 mil. Já aqueles submetidos a 44 horas recebem cerca de R$ 2,6 mil, evidenciando uma penalização salarial justamente entre os grupos mais vulneráveis. O estudo ainda cita informações da Relação Anual de Informações Sociais que indicam que aproximadamente três quartos dos vínculos formais no país seguem a jornada de 44 horas semanais e que, nesse cenário, a proposta de redução da carga máxima para 40 horas, sem diminuição de salário, vem ganhando respaldo entre especialistas em políticas públicas.

O instituto estima que a mudança elevaria o custo da hora trabalhada em cerca de 7,8%, com impacto total inferior a 1% para empresas de setores como indústria e comércio. De acordo com o técnico de planejamento e pesquisa do instituto, Felipe Pateo, esse custo pode ser compensado por ganhos de produtividade ou pela ampliação do quadro de funcionários. “Essa estratégia tende a redistribuir empregos e contribuir para a redução do desemprego”, afirma.

Para o especialista, a escala 6×1 limita o descanso semanal a um único dia, comprometendo o equilíbrio entre vida profissional e pessoal. A redução da carga horária, segundo a análise, poderia ampliar o tempo destinado ao convívio familiar e aos cuidados com a saúde. Ele também defende que a discussão não deve se restringir ao impacto sobre o Produto Interno Bruto (PIB) e que o aumento do tempo livre traz benefícios sociais relevantes, como melhora no bem-estar e efeitos positivos na produtividade no longo prazo.

A pesquisa conclui que o aumento das horas trabalhadas não resulta, necessariamente, em melhores salários, oferecendo novos elementos para o debate sobre a regulação da jornada de trabalho no país.

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Por Wal Lima
postado em 22/04/2026 21:54
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