eleições

PT não terá candidaturas próprias ao governo nos estados do Sul

Partido de Lula desiste de disputar o Executivo gaúcho e prioriza aliança com nomes da centro-esquerda para enfrentar aliados de Flávio Bolsonaro

O PT não deverá ter nenhum candidato da legenda na disputa pelo governo dos três estados do Sul — Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Paraná. Depois de ameaçar intervir no diretório gaúcho, cujas principais lideranças defendiam a candidatura do ex-presidente da Conab Edegar Pretto ao Palácio Piratini, a Executiva Nacional do partido convenceu o diretório a apoiar a candidatura da ex-deputada estadual Juliana Brizola, do PDT. Ela é neta do ex-governador Leonel Brizola, fundador da legenda trabalhista.

No Paraná, o PT está comprometido com o apoio à candidatura de Requião Filho, também do PDT. Em Santa Catarina, o partido deve repetir a coligação nacional com o PSB, que lançará o nome do empresário e ex-deputado estadual Gelson Merísio.

O anúncio da desistência da pré-candidatura ao governo gaúcho foi feito pelo próprio Pretto, depois de se reunir, nessa quinta-feira, com lideranças políticas do PSB, em Porto Alegre. Com a decisão, o PT se soma à frente de esquerda que deverá caminhar unida nas eleições de outubro em torno do nome de Juliana Brizola. Ela conta com os apoios de PSB, PSol, PCdoB, PV e Rede.

"Vamos nos apresentar, a partir de agora, como uma frente política, e não individualmente", declarou Pretto, ao anunciar a decisão. Ele admitiu que a prioridade da legenda é a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Nosso principal objetivo é mobilizar o Rio Grande do Sul na reeleição do presidente Lula e apresentar à sociedade gaúcha um projeto novo de desenvolvimento do estado. Agora é um tempo de maturação, internamente, desses partidos, a partir dessa nacionalização da nossa tática eleitoral”, avaliou o ex-presidente da Conab, que é cotado para compor a chapa como vice da neta de Leonel Brizola.

Nesta sexta-feira, a Executiva estadual do PT deve convocar uma reunião do diretório estadual para a semana que vem, com o objetivo de formalizar a decisão.

A aliança com o PDT também se repetirá no Paraná, com o apoio à candidatura do deputado estadual Requião Filho, filho do ex-governador Roberto Requião. O PT avalia que Lula precisará de um palanque robusto no estado para contrapôr o apoio do senador e pré-candidato ao Palácio Iguaçu Sergio Moro (PL) à candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência.

Em Santa Catarina, porém, a coligação deve repetir a aliança nacional entre o PT e o PSB do vice-presidente Geraldo Alckmin e do ex-prefeito de Recife João Campos, que têm conseguido atrair para a legenda nomes de peso do chamado centro democrático, como a ex-ministra do Planejamento Simone Tebet — ela deixou o MDB para tentar uma vaga ao Senado por São Paulo — e o ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (ex-PSD), nome da preferência de Lula para disputar o governo de Minas Gerais.

O PSB deve lançar, com amplo apoio dos partidos de esquerda locais, o empresário e ex-deputado estadual Gelson Merísio. Ex-presidente da Assembleia Legislativa de Santa Catarina, ele disputou, pelo PSD, o governo do estado em 2018, perdendo para o candidato bolsonarista Comandante Moisés. Desde então, Merísio tem atuado nos bastidores da política catarinense. Assim como Juliana Brizola e Requião Filho, Merísio é nome de preferência do presidente Lula para as eleições majoritárias de outubro. O comando nacional do PT vê no apoio ao empresário uma boa possibilidade para Lula ultrapassar a marca de 30% dos votos no estado, percentual que obteve no pleito de em 2022.

Dúvidas em Minas

As alianças do PT com PDT e PSB nos estados estão sendo negociadas diretamente pelos caciques das três legendas desde o ano passado, sempre com o objetivo de fortalecer os palanques progressistas no pleito de outubro e oferecer aos eleitores candidaturas competitivas contra os nomes da direita que abrirão palanques para a campanha ao Planalto do filho 01 do ex-presidente Jair Bolsonaro — condenado e preso em regime domiciliar por liderar uma tentativa de golpe de Estado.

Em fevereiro, o presidente do PT, Edinho Silva, reuniu-se com o comandante do PDT, Carlos Lupi, para definir a estratégia de alianças e as possíveis composições estaduais, que começam a ganhar corpo com o avanço do calendário eleitoral. Falta, porém, definir a situação em Minas Gerais — estado-chave para as pretensões de Lula. O presidente da República dá como certa a candidatura do senador Rodrigo Pacheco (que deixou o PSD para se abrigar no PSB) ao Palácio Tiradentes, mas o PDT insiste em manter a pré-candidatura do ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil, que disputou as eleições de 2022 ao governo do estado, mas perdeu para Romeu Zema (Novo).

Em outras palavras, o pré-candidato deixa a disputa pela cabeça de chapa da majoritária, que passa a ser da pré-candidata Juliana Brizola, do PDT. Ela vai liderar a oposição na disputa ao Palácio Piratini neste ano.

"A ideia que estamos trabalhando é que, a partir de agora, continue com uma frente de seis partidos a se agregar ao PDT. Temos também o PDT largando essa frente. Continuamos trabalhando no sentido dessa frente”, apontou o ex-pré-candidato.

Nesta sexta-feira, a Executiva estadual irá se reunir para fazer uma convocação do diretório, o que deve ocorrer no início da próxima semana para tratar das questões internas. No encontro, a princípio meramente formal, deverá ser sacramentado oficialmente o apoio a Juliana.

A coletiva, ao contrário do que poderia se imaginar, aconteceu na sede do PSB, partido que também faz parte da frente em torno do nome de Edegar Pretto. Segundo Beto Albuquerque, presidente estadual da sigla, o convite partiu dele para que o encontro fosse ali. Entre os partidos aliados, os integrantes do PSol não estiveram presentes. Em justificativa, Pretto destacou que a legenda também estava em reunião interna.

 

 

Mais Lidas