Apontado como o principal nome apoiado pelo governo federal para a vaga no Tribunal de Contas da União (TCU), o deputado Odair Cunha (PT-MG) afirmou nesta segunda-feira (13/4) que sua candidatura não deve ser tratada como uma indicação governista e buscou reforçar um perfil de independência durante sabatina na Comissão de Finanças e Tributação da Câmara.
“Minha candidatura tem um significado claro: ela não pertence ao governo, não pertence ao meu partido, não pertence à oposição; esta candidatura pertence ao conjunto dos senhores deputados e deputadas”, declarou.
Ao longo da apresentação, o parlamentar defendeu que a escolha para o TCU deve se afastar de disputas políticas. “Não podemos fazer falsos dilemas quando tratamos de um órgão técnico e sério como o TCU”, afirmou.
Odair destacou ainda que recebeu apoio de partidos de diferentes espectros políticos, o que, segundo ele, reforça o caráter amplo de sua candidatura. “Recebi o apoio inicial de 12 partidos, o que revela confiança na minha trajetória e no meu compromisso com esta Casa”, disse.
Durante o discurso, o deputado também fez um relato pessoal sobre sua origem e trajetória política. Ao mencionar a família e o início da vida pública — como filho de uma trabalhadora doméstica e de um lavrador —, ele se emocionou e chegou a lacrimejar ao relembrar o caminho até a Câmara dos Deputados, onde exerce o sexto mandato.
“Quis Deus e o povo mineiro que eu exercesse nesta Casa seis mandatos parlamentares. São 23 anos de vida pública dedicados a este Parlamento”, afirmou.
Na defesa de sua atuação, Odair destacou o compromisso com o diálogo e a construção de consensos. “Quero ser um ministro que funcione como uma ponte para soluções, capaz de aproximar visões e contribuir para decisões equilibradas”, disse o deputado que também abordou a atuação do TCU na análise das emendas parlamentares, defendendo o instrumento como essencial para a execução de políticas públicas.
“As emendas são um instrumento legítimo e fundamental para levar políticas públicas à ponta, onde a população mais precisa”, afirmou.
Ao apresentar propostas, Odair elencou três eixos para atuação no tribunal: maior integração com o Congresso, fortalecimento do caráter preventivo do controle e rigor técnico na aplicação de sanções em casos de irregularidades.
Ele também defendeu a diferenciação entre erros administrativos e práticas dolosas. Segundo o parlamentar, o TCU deve evitar o chamado “apagão das canetas”, estimulando gestores a tomarem decisões sem medo de punições indevidas. “O Tribunal precisa evoluir para um controle mais orientador, que diferencie o erro honesto da má-fé”, disse.
Ao final, reforçou o compromisso com a função e pediu apoio dos colegas parlamentares. “A palavra é sagrada na política e na vida. Peço um voto de confiança para ser um representante fiel dos valores desta Casa”, concluiu.
A sabatina segue com os demais candidatos à vaga no TCU, cuja votação está prevista para terça-feira (14/4), em plenário.
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