Menos de 24 horas depois de ser liberado pelo Serviço de Imigração e Fiscalização Aduaneira dos Estados Unidos (ICE), o ex-deputado Alexandre Ramagem gravou um vídeo no qual ataca o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a Polícia Federal (PF) — chamada por ele de "polícia de jagunços" — e o diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues. Ex-policial federal e demitido em dezembro passado, pelo então ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, por participar da quadrilha que tentou dar um golpe de Estado no Brasil, o ex-parlamentar aproveitou para afirmar que sua situação nos Estados Unidos é regular, ao contrário do que foi noticiado inicialmente, por conta do passaporte diplomático que foi invalidado assim que ele perdeu o mandato na Câmara.
"Esse diretor-geral [Andrei Rodrigues] é uma vergonha", criticou Ramagem, ao comentar a informação dada pela própria PF de que há cooperação entre a instituição brasileira e o ICE na questão dos imigrantes ilegais. "Nós cumprimos os requisitos, estamos dentro de todos os procedimentos, de todas as respectivas fases, o que nos concede o status de permanência regular nos EUA", frisou. Ramagem teria, segundo os bolsonaristas, dado entrada em uma solicitação de asilo junto ao governo norte-americano, alegando perseguição política no Brasil.
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Segundo o ex-deputado, a prisão pelo ICE e a soltura foram atos "administrativos", sem a interferência da Justiça dos Estados Unidos. "Não houve nem pagamento de fiança, que é comum nesses casos migratórios", disse. Ramagem fugiu do Brasil depois de ser condenado pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) a pouco mais de 16 anos de prisão como um dos integrantes do núcleo crucial do golpe. Ele teria cruzado a fronteira brasileira com a Guiana e embarcou para os EUA com o passaporte diplomático ainda válido — seu mandato seria cassado semanas depois.
Considerado foragido da Justiça brasileira e com nome incluído na Difusão Vermelha da Interpol, ele vive, desde setembro do ano passado, no estado da Flórida com a mulher e as filhas. Ramagem desafiou a PF, que, segundo a cúpula da coporação, teria colaborado com o ICE na operação que o levou à prisão.
"Quem está demonstrando que pode estar sorrateiro aqui não sou eu. O adido da PF que venha falar comigo de frente. Não tenho nada a esconder, muito pelo contrário", disse.
Agradecimentos
No vídeo, ele agradece aos bolsonaristas que o acolheram nos EUA — citou nominalmente o ex-deputado Eduardo Bolsonaro e os blogueiros Paulo Figueiredo e Allan dos Santos — que também é foragido da Justiça brasileira. "Eles todos estavam com a Rebeca, a minha esposa, que com muita força e determinação precisou de toda a ajuda para fazer chegar as autoridades americanas a regularidade da nossa permanência aqui nos EUA", destacou.
Ele também fez agradecimentos à "mais alta cúpula da administração (de Donald) Trump". Segundo bolsonaristas, Ramagem teria sido solto a partir de gestões de Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo junto a Darren Beattie, assessor do presidente norte-americano para assuntos relacionados à América Latina. A dupla também teria procurado parlamentares republicanos com trânsito na Casa Branca para pressionar pela soltura de Ramagem.
Beattie, aliás, teve o visto de entrada no Brasil negado em março, quando viria participar de um eventro sobre terras raras. Porém, planejava visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro quando ainda estava preso na Papudinha. A alegação do Ministério das Relações Exteriores para que ele fosse impedido de entrar no país foi a lei da reciprocidade, por conta da suspensão do visto do ministro Alexandre Padilha (Saúde), em agosto passado, por Washington.
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