O presidente Luiz Inácio Lula da Silva mandou recados indiretos ao líder da Casa Branca, Donald Trump, durante discursos realizados no fim de semana, na Europa, onde cumpre agenda até quarta-feira. Ontem, o petista chamou de "maluquice" o conflito entre EUA, Israel e Irã, durante pronunciamento realizado na cerimônia de abertura da feira Industrial de Hanôver, na Alemanha.
"O Brasil é um dos países menos afetados pela maluquice da guerra feita com o Irã. Nós não estamos sofrendo o aumento do preço do petróleo como muitos países estão sofrendo, porque o governo tomou medidas, e o Brasil só importa 30% dos seu óleo diesel", afirmou. Ao retirar o Brasil de possíveis choques no preço do petróleo, Lula enfatizou os anúncios do governo federal que envolveram subsídios e isenções de impostos a combustíveis como diesel (nacional e importado), biodiesel, gás liquefeito de petróleo — o gás de cozinha (GLP) — e querosene de aviação.
Antes de considerar como "maluquice" o conflito iniciado em março pelos Estados Unidos, Lula fez outra citação indireta a Trump, no sábado, no Fórum em Defesa da Democracia, em Barcelona, na Espanha. À ocasião, ele disse que o mundo não poderia ser guiado por um tuíte, em referência a post na rede social, de líderes de Estado. "Não podemos levantar todo dia de manhã e ir se deitar todo dia à noite com um tuíte de um presidente da república ameaçando o mundo, fazendo guerra", discursou, após dizer que "nenhum presidente" tem o "direito" de impor regras a outros países.
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A referência ao presidente dos Estados Unidos ocorreu porque Trump, sobretudo em pronunciamentos sobre o conflito no Golfo Pérsico, se pronuncia por meio da conta em sua rede social, a Truth Social.
Intermediação
Junto às críticas indiretas a Trump, os discursos de Lula na Alemanha questionaram o que chamou de omissão do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) para intermediar guerras em curso. "Para que serve o Conselho de Segurança da ONU? Por que vocês não se reúnem e não param com essas guerras? Por que que não decide destinar o dinheiro que está fazendo guerra, matando e destruindo para a gente poder cuidar dos milhões de flagelados que estão andando pelo mundo à procura de um país que os receba?", questionou, no momento em que disse considerar como "inadmissível" o fato de o mundo gastar U$ 2,7 trilhões em guerra e nada seja destinado para acabar com a fome no planeta.
Esse dinheiro, na avaliação de Lula, deveria ser investido para resolver a questão dos refugiados das guerras que buscam um país para recomeçar. "É de se perguntar ao presidente Donald Trump, ao presidente Vladimir Putin, ao presidente Xi Jiping, ao presidente Emmanuel Macron e ao primeiro-ministro do Reino Unido. (...) Por que vocês não se reúnem e não param com essas guerras? Por que não decide destinar o dinheiro que está fazendo guerra, matando e destruindo para a gente poder cuidar dos milhões de flagelados que estão andando pelo mundo à procura de um país que os receba?", questionou.
O presidente destacou o histórico de imigração no Brasil, começando pelos portugueses em 1500, depois destacando a vinda forçada de africanos a partir de 1650. "Primeiro chegaram os portugueses em 1500, depois de 1650 começou a escravizar o continente africano e foram 5 milhões de negros que trabalharam durante 350 anos como escravos do Brasil", ressaltou. Lula também lembrou-se dos alemães, italianos, espanhóis, japoneses e árabes. "Como é que eu posso ser contra a imigração se essa gente toda ajudou a construir o Brasil de hoje? A cara do Brasil, a cultura do Brasil, a saúde do Brasil", afirmou.
