Em meio ao avanço das discussões sobre a redução da jornada de trabalho na Câmara dos Deputados, como a aprovação da admissibilidade de duas propostas de emenda à Constituição (PECs), ocorridas nesta quarta-feira (22/4), entidades do setor industrial manifestaram preocupação com a proposta. A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG), por exemplo, afirmou que a tramitação da matéria ocorre sem o devido aprofundamento técnico e sem uma análise consistente dos efeitos sobre a economia.
Em nota, a federação avaliou que a aprovação da admissibilidade na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) reforça um caráter “precipitado e eleitoreiro” da iniciativa. “A Federação alerta que a aprovação da proposta na CCJ prioriza ganhos políticos de curto prazo em detrimento de uma discussão responsável sobre seus efeitos estruturais no país”, informou a entidade.
A Federação das Indústrias do Paraná (Fiep) também se posicionou contra a forma como o projeto foi estruturado pelo Parlamento. Segundo a entidade, a medida tende a provocar aumento de custos, redução da competitividade e retração de investimentos, além de impactos diretos sobre o emprego formal, especialmente em setores intensivos em mão de obra.
Levantamento citado pela federação, elaborado em parceria com a Tendências Consultoria, indica que a proposta pode gerar perda de Produto Interno Bruto (PIB) no curto prazo, sem garantia de criação de empregos. O estudo ainda aponta risco de demissão ou migração para a informalidade de cerca de 1,5 milhão de trabalhadores formais.
Apesar das críticas, estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada apresenta uma leitura distinta sobre o tema. A pesquisa indica que jornadas mais longas estão associadas a salários menores e maior desigualdade, sobretudo em setores como comércio e serviços.
O levantamento também sugere que a redução da jornada para 40 horas semanais teria impacto limitado sobre os custos empresariais — inferior a 1% em alguns segmentos — e poderia ser compensada por ganhos de produtividade ou pela ampliação do número de trabalhadores.
A divergência entre entidades empresariais e pesquisadores evidencia a complexidade do debate, que envolve não apenas indicadores econômicos, mas também questões sociais, como qualidade de vida e distribuição de renda.
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